<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359</id><updated>2011-07-08T06:40:25.649-03:00</updated><title type='text'>Arquitetura da barbárie</title><subtitle type='html'>Espaço destinado ao estudo e análise das estruturas e conjecturas de transformação do mundo com a aura da pós-modernidade sob a égide do capitalismo na transição para o século XXI.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-8333437969843148077</id><published>2010-04-22T21:04:00.002-03:00</published><updated>2010-04-22T21:08:25.405-03:00</updated><title type='text'>As Pétreas Heranças do Velho Muro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/S9Dk12hDs5I/AAAAAAAAB14/pdLGgkoPp3s/s1600/murodeberlim.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/S9Dk12hDs5I/AAAAAAAAB14/pdLGgkoPp3s/s320/murodeberlim.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463117961818780562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entender o mundo após a queda física e simbólica do Muro de Berlim (1989) não é uma tarefa trivial. A derrocada do mundo socialista vem bem antes da queda do famigerado muro, porém a materialização de suas conseqüências poderá ser discutida referencialmente a partir da década de 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo ocidental e seus satélites de influência entraram numa onda neoconservadora baseada em duas premissas: o mercado liberal e a democracia (na sua vulgata essencialmente eleitoral). A subida ao poder de Ronald Reagan (1981-1989) nos Estados Unidos e Margareth Thatcher (1979-1990) na Inglaterra marcou a virada conservadora nos centros decisórios da política ocidental e nas economias capitalistas centrais. Substituindo algumas premissas keynesianas da reestruturação macroeconômica do pós-guerra, o estofamento ideário que norteou a economia foi o liberdade irrestrita do mercado cujos arautos pertenceram ao que convencionou chamar de “Escola de Chicago” tendo o economista estadunidense Milton Friedman (1912-2006) como o seu principal expoente. Logo, uma vez que a hegemonia capitalista aterrou o “fantasma do socialismo” (enfatizando a estirpe stalinista) seria possível surgir um “novo mundo” sem fronteiras (econômicas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na crista dos “novos tempos”, o filósofo estadunidense Francis Fukuyama sentenciou o “fim da História” como sendo a vitória do capitalismo sobre qualquer outro modo de produção e a democracia burguesa como o ápice da espécie humana. Todo este arcabouço foi escancarado e multiplicado pela Big Mídia internacional que acabou sendo batizada com o termo “globalização” (ou na versão que considero a mais realista defendida principalmente pelo francês François Chesnais, a “mundialização”). A ideologia neoliberal foi corrosiva de tal ponto que estremeceu com todas as estruturas que alicerçavam o mundo capitalista. A antiga ética do “trabalho” forjada pelo usufruto do trabalho foi sendo paulatinamente substituída pela ética do “consumo”. Neste sentido, todas as relações sociais são profundamente transformadas, desde questões cerceadas pelo mundo do trabalho até as questões relativas ao corpo e afetividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras e expressões novas de vernizagem neoliberal rechearam o vocabulário do “politicamente correto”: “empreendedorismo”, “responsabilidade social”, “desenvolvimento sustentável”, “relação empresa-cliente”, “missão da empresa”. O imediatismo e rapidez que as transformações ocorrem são tão viscerais a tal ponto que o sociólogo Zygmunt Bauman denominou o momento atual como sendo a “modernidade líquida”. Do celular à TV a cabo, do “empreendedor” de si mesmo à terceirização do trabalhador (vide o exemplo dos operadores de telemarketing), dos sites de relacionamento digital às casas de suingue, o consumismo é a transformação da sociedade em uma horda de consumidores vorazes de indispensáveis futilidades.  A necessidade por bens supérfluos transpôs as barreiras das classes mais abastadas e penetrou por toda classe média baixa, incluindo guetos e favelas. São crescentes as despesas das famílias por bens que não são prioridades existenciais. Logo, a vida sob a batuta do hiperconsumo se torna refém de um oceano de possibilidades mercadológicas. A retórica da liberdade se torna a angústia do consumismo. Com estes condicionantes, Giles Lipovetsky denomina nossa era como sendo a “hipermodernidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “cidadania” (utilizando velhos preceitos da burguesia pós-Revolução Francesa) cedeu espaço para o “clientismo”. Conceitualmente, somos “clientes” e não mais “cidadãos”. Hospitais privados e clínicas médicas tratam da saúde dos seus “clientes”, escolas e faculdades privadas lecionam para “clientes”, torcedores filiados a clubes de futebol são “clientes” dos clubes-empresas, marqueteiros profissionais produzem discursos para “políticos-clientes”. A política se tornou “desnecessária” e os Estados Nacionais vem sendo gradativamente sucumbindo às empresas transnacionais (corporações). A proliferação de ONGs é um exemplo da diluição da política e a terceirização das ações políticas. Tal como uma empresa de “empresa jurídica” qualquer, pode-se abrir ou fechar uma ONG da mesma forma que uma quitanda, mudar de ramo, valores ou objetivos. O curioso que a panspermia de ONGs é supostamente seria um movimento “apolítico da sociedade civil” (como se tal conjectura fosse possível!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparada com o “crash” de 1929 que solapou a economia mundial da época, a crise financeira mundial de 2008, desencadeada a partir da bolha imobiliária nos Estados Unidos, foi outro exemplo do lastro da atualidade da mundialização do capital. Um grupo de empresas de crédito foi à falência no especulativo e mirabolante marcado imobiliário estadunidense e se espalhou pelas bolsas de valores do mundo inteiro. A agiotagem profissional em escola global não encontrou lastro para suas bilionárias operações e a “quebra” de muitos bancos foi inevitável (muitas deles com grande histórico de atuação no mercado). Como um castelo de cartas, um conjunto de empresas transnacionais colecionou prejuízos colossais e devido ao seu poder de influência fez que os governos de Estados-Nações das economias centrais e emergentes viessem a socorrê-las via erário dos contribuintes (leia-se “trabalhadores”). A “socialização das perdas” foi uma espécie de arremedo “keynesiano” no mercado financeiro mundial (ou seja, a ativa ação do Estado para estancar a sangria de dinheiro privado!). O curioso é que para salvar supostamente os empregos (os tais “postos de trabalho”) a maior parte dos sindicatos (praticamente em toda a sua totalidade), pressionou governos nacionais para auxiliarem na doação de recursos públicos para tais empresas transnacionais em dificuldades financeiras. Neste ínterim, esse é um bom recorte do que gradativamente ocorrem com os sindicatos de trabalhadores que perderam sua identidade e seu espaço dentro da correlação forças entre patrões e empregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante frisar a necessidade do retorno dos estudos da Psicologia e Psicanálise para o entendimento da sociedade em busca de uma visão transdisciplinar do conhecimento social. A diluição das relações pessoais, perda de identidade, a imagem como metáfora narcísea, a descentralização e esvaziamento da política e o estilhaçamento das relações de trabalho formam os alicerces deste arcabouço de um novo mundo multipolar (sem um poder central de decisão) que se tornou tão instável quanto o antigo “velho mundo” dos tempos da Guerra Fria. O “keynesianismo militar” jamais foi abandonado e, pelo contrário, de forma progressiva vem crescendo o rearmamento mundial das grandes potências e de “anãs bélicas” como é o caso da débil corrida armamentista na América do Sul (puxado pelo histrionismo da Venezuela de Hugo Chávez e Brasil do ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva). O novo ator central das relações internacionais e principal candidata a desbancar a hegemonia econômica estadunidense, a China, já vem se armando pesadamente para enfrentar “novos desafios” para a sua condição de potência mundial num mundo multipolar. Outros países emergentes como a Rússia (herdeira do arsenal atômico da antiga União Soviética) e Índia vem fazendo coro à premissa do crescimento econômico com “responsabilidade militar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra ao terror é o mote mais usual para convencer os contribuintes a depositarem bilhões de dólares e euros em sofisticados programas das forças armadas contra supostos “inimigos invisíveis”. Quaisquer questionamentos à ordem vigente na democracia neoliberal poderão ser taxados impunemente de ato ou ação “terrorista” (uma destas medidas feitas pelo governo dos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro é o famigerado e xenófobo “Patriot Act”). Afeganistão, Iraque e Irã (o próximo alvo) são exemplos atuais da ação invasora da sanha carcomida imperialista guiada pelos Estados Unidos e apoiada pela União Européia em nome de uma política “antiterror” (atacar primeiro para não ser atacado). Salienta-se a curiosa observação da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a qual dizia que a saída das tropas alemãs de ocupação no Afeganistão seria uma “catástrofe” uma vez que significaria aquele país cair “no caos e na anarquia”. Como se algum chefe de Estado europeu ou estadunidense tivesse algum mínimo de preocupação como o povo afegão se não fosse os bilionários interesses geoestratégicos e econômicos na região!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mesmo a questão do uso de artefatos nucleares continua tão vivo quanto às tensões dos tempos áureos da pungente rivalidade ideológica russo-americana na Guerra Fria. Notadamente, ao contrário de uma possível “pacificação” de um novo mundo pós-muro livre das deletérias dicotomias ideológicas, a contradições entre liberdade humana e livre mercado continuam a se aprofundar criando um fosso entre um mundo possível e a realidade crua e disforme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-8333437969843148077?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/8333437969843148077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=8333437969843148077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/8333437969843148077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/8333437969843148077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2010/04/as-petreas-herancas-do-velho-muro.html' title='As Pétreas Heranças do Velho Muro'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/S9Dk12hDs5I/AAAAAAAAB14/pdLGgkoPp3s/s72-c/murodeberlim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-727492311999817217</id><published>2008-12-05T07:51:00.006-02:00</published><updated>2008-12-05T08:22:07.582-02:00</updated><title type='text'>REINAÇÕES DO FALO: Em busca da maximização do prazer e a mercantilização do Amor na Sociedade de Consumismo (1ª. Parte)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/STj7sAjJb2I/AAAAAAAAAow/dGohQ2NFVL8/s1600-h/reinacoesdofalo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/STj7sAjJb2I/AAAAAAAAAow/dGohQ2NFVL8/s320/reinacoesdofalo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276243696944770914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CVia%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt; 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para todos aqueles que acreditam que as demais coisas também sejam mentiras.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);font-size:130%;" &gt;&lt;u style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style=""&gt;&lt;div style="" id="edn9"&gt;&lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CVia%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;1. A inveja do falo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Voltando de Araraquara à São Paulo, toca o celular de uma passageira situada no banco à minha frente. Com o ônibus relativamente vazio numa noite fria e nublada, ela começa a falar num tom moderado e depois exalta a voz. O que todos passageiros do ônibus puderam ouvir era uma típica briga de casais via telefonia móvel. O que era perfeitamente possível de entender era que o interlocutor, o namorado-parceiro (ou similar), estava comunicando à amante-namorada (ou similar) o desvelo do “grande mistério” que ele carregava na relação deles: e surgiu a fatídica “verdade” que o distinto cavalheiro era “casado”! Oh, Céus? Do desvelo em diante, percebeu-se o forte tom de reprovação e suposta insatisfação da passageira com seu parceiro. Como já previsto, começaram as típicas perguntas “quem era ela?”, “que idade tem?”, “como é o relacionamento entre vocês?”, “você ama a sua mulher?”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Como quase todas as histórias similares a esta, o homem jamais fala a verdade ou, na melhor das hipóteses, procura camuflar à ausência da ética matrimonial com uma roupagem de “mistério” ou lacrimejar seu profundo sofrimento do “casamento em frangalhos”. No seu comportamento de ostentar seu falo na sociedade, é o coito a tarefa primordial do homem de estar sobressalente em seu nicho social. Como é possível intermediar um orgulhoso diálogo com os amigos, sem contar as diabruras daquela circense “trepada” com a colega do trabalho, amiga da namorada/esposa ou a vizinha do outro quarteirão em meio aos resultados dos jogos de futebol do final de semana (coisa para macho, claro!)?&lt;a style="color: rgb(51, 51, 255);" href="#_edn1" name="_ednref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Georgia;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Retornando à passageira do ônibus. Com o passar da conversa, o tom de voz se apaziguava e açucarava da passageira passou da hostilidade da “mulher-traída” à complacência da “mulher-mãe” e começa a partir daí uma série de “aconselhamentos amorosos” para o infiel interlocutor. Ela, a passageira aturdida, optava inconscientemente a agregar à sua fala o tom conciliador de “mãe acolhedora e racionalista” numa atitude que visava preservar a auto-estima e sublimar as conseqüências da grande “sensibilidade” do seu parceiro. Após um longo tempo de conversa em tom que era impossível não deixar de ouvir e o ônibus ao adentrar à rodoviária paulistana da zona norte da cidade, ela desliga o celular, desce o veículo e parte erguendo com altivez sua cabeça e puxando sua bagagem de mão como se nada tivesse acontecido. Vale comentar sobre o título do livro que a passageira carregava em suas mãos: “&lt;b style=""&gt;O Príncipe&lt;/b&gt;” de Nicolau Maquiavel. Mais irônico impossível! Seria um estudo da ostentação do reino material sobre a ficção emotiva por parte da passageira? A questão a ser interpretada é tecer algumas interpretações de como seria possível analisar situações da instável relação prazer e amor na sociedade capitalista de consumismo tal como o caso dessa passageira em destaque.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Em “&lt;b style=""&gt;Totem e Tabu&lt;/b&gt;”, Sigmund Freud alertou: “&lt;i style=""&gt;Não é fácil perceber por que qualquer instinto humano profundo deva necessitar ser reforçado pela lei. Não há lei que ordene aos homens comer e beber ou os proíba de colocar as mãos no fogo&lt;/i&gt;”&lt;a style="" href="#_edn2" name="_ednref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Georgia;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &lt;span style="color: black;"&gt;Pelo empirismo do universo masculino, algumas certezas são passíveis de dedução. O distinto cavalheiro (outrora “patrono do coração da passageira do ônibus”) possivelmente já estava insatisfeito ou saciado do sexo com a distinta “amante” e buscava descartá-la de alguma maneira anunciando o “insustentável” segredo. Seria patente ao acrescentar que o inconsciente da passageira de alguma maneira já sabia da natureza do “mistério” do seu parceiro, todavia era importante manter as regras do jogo entre “surdos-e-mudos”. “Estar por cima, ou sair por cima” de condições existenciais é fundamental na efêmera construção do “ter e não ser”. Naturalmente, no ego narcíseo da mulher pós-moderna, é muito mais sustentável ter um parceiro que lhe garante algum “status” de auto-realização pelo ego, ou seja, “ele é um homem ‘misterioso’ e isto me atrai e excita”. Naturalmente, o instinto natural do homem é a projeção da ejaculação narcísea representa pelo seu falo. O que confere o caráter do “macho” é o sentido que possa exercer seu papel de ejaculador primaz dentro no seu nicho social. Ninguém estaria impune dos seus impulsos narcíseos do homem. A projeção do “homem” na sociedade de consumismo é o seu caráter de “conquistar” em tempos bravios o seu “lugar ao sol”. A imposição do macho é o modelo o qual cabe aos impulsos movidos à testículos de efetivar as vontades viscerais da emancipação do falo. Cabe então à mulher pós-moderna buscar uma alternativa existencial para que não seja destruído pela imposição do falo e assim desejar as mesmas pré-condições do homem. Neste caso, como veremos posteriormente, o “amor” é a tão temida desconstrução dos elementos narcíseos do sujeito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Observando com um olhar mais pós-moderno da construção do imaginário afetivo da mulher do hiperconsumo, a “inveja do falo” é uma entidade abstrata de uma busca inalcançável da identidade do sujeito em igualar as mesmas conquistas narcíseas representada pelo falo do homem (em plenitude, forma e extensão). Se os movimentos feministas soerguidos na metade do século XX queimaram simbolicamente sutiãs em praças públicas visando dignidade e emancipação sobre as seculares atrocidades machistas, na hipermodernidade, a “inveja do falo” dita a esfera do consumo de uma insólita batalha agonística em busca de não sucumbir o Ego diante da falência da capacidade de autocontrole de suas própria existência. O ato de consumir dá um falso alento que é possível encontrar as rédeas do próprio caminho ou amenizar as insatisfações (caminhos para sublimar o desprazer). Na condução das &lt;b style=""&gt;relações objetais&lt;/b&gt;, ir às compras compulsivamente estaria no mesmo patamar da troca instável de parceiros sexuais ou supostamente afetivos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; line-height: 150%; font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);font-size:130%;" &gt;2. Édipo e Electra: arcabouços freudianos.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Para adentrar ao caminho de desvelo das relações de instabilidade neurótica da personalidade humana, é pertinente conhecer dois conceitos psicanalíticos freudianos, aliás, um que é o desdobrar do outro: &lt;b style=""&gt;o Complexo de Édipo e o Complexo de Electra&lt;/b&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);font-size:130%;" &gt;2.1 Complexo de Édipo. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;O &lt;b style=""&gt;Complexo de Édipo&lt;/b&gt;&lt;a style="color: rgb(51, 51, 255);" href="#_edn3" name="_ednref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Georgia;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, ou posição edípica, segundo Sigmund Freud é a etapa mais importante, no desenvolvimento da personalidade e, é nesta etapa que ocorre o temor a &lt;b style=""&gt;castração&lt;/b&gt;. O conceito de “castração” na Psicanálise é essencial para a construção e desenvolvimento do desejo e da personalidade do sujeito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;A psicanálise freudiana buscou conhecer todo o significado do simulacro referente à castração e suas singularidades afetivas, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;generalizando-a, para fazer dela o modelo das relações entre os filhos e seus pais. Dentre estas questões edípicas está sublinhada à fixação amorosa no progenitor do sexo oposto, agressividade hostil em relação ao do mesmo sexo, o qual é preciso destruir para atingir sua própria maturidade, dupla tendência que admite inumeráveis variantes. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Segundo a análise da psicóloga Jacqueline Moreira: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin: 5pt 0pt 0.0001pt 70.8pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Georgia;"&gt;Dessa forma, o Édipo não é somente o "complexo nuclear" das neuroses, mas também o ponto decisivo da sexualidade humana, ou melhor, do processo de produção da sexuação. Será a partir do Édipo que o sujeito irá estruturar e organizar o seu vir-a-ser, sobretudo em torno da diferenciação entre os sexos e de seu posicionamento frente à angústia de castração&lt;a style="" href="#_edn4" name="_ednref4" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Georgia;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Na avaliação de Chevalier e Gheerbrant, a figura do Édipo simboliza a &lt;i&gt;alma humana e seus conflitos&lt;/i&gt;, do &lt;i&gt;ser humano capaz de loucura e de recuperação&lt;/i&gt; &lt;a style="" href="#_edn5" name="_ednref5" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Georgia;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Para análise de Sigmund Freud: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin: 5pt 0pt 0.0001pt 70.8pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Georgia;"&gt;A psicanálise revelou que o animal totêmico é, na realidade, um substituto do pai e isto entra em acordo com o fato contraditório de que, embora a morte do animal seja em regra proibida, sua matança, no entanto, é uma ocasião festiva (...) A atitude emocional ambivalente, que até hoje caracteriza o complexo-pai em nossos filhos e com tanta freqüência persiste na vida adulta, parece estender-se ao animal totêmico em sua capacidade de substituto do pai.&lt;a style="" href="#_edn6" name="_ednref6" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Georgia;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;2.2 O Complexo de Electra.&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;O complexo de Electra foi batizado a partir de um mito grego segundo o qual Electra, para vingar o pai, Agamêmnon, incita seu irmão Orestes a matar a mãe, Clitemnestra, e seu amante Egisto, que haviam assassinado Agamêmnon. &lt;span style="color: black;"&gt;Psicanaliticamente, a resolução deste período ocorreria da seguinte forma:&lt;br /&gt;"a menina desistiria do pai original e, com a maturidade viria a possuir um substituto do pai (um homem) e, a sua ligação infantil com a mãe seria compensada, vindo ela a se tornar "mamãe" também, e desta maneira readquiriria as gratificações do relacionamento "mãe-filho". Uma ligação excessiva com o pai pode interferir na capacidade de transmitir sentimentos positivos a outras pessoas; pode vir a fazer com que ela assuma características masculinas (do pai) e assim ter tendências homossexuais.&lt;br /&gt;O medo excessivo da figura paterna (isto em casos de pais que são distantes ou não trocam afeto com as filhas) pode prejudicar a capacidade em lidar com pessoas do sexo masculino.&lt;br /&gt;Fica então evidenciado a existência do complexo de Édipo e o interesse da menina pelo pai. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Talvez seja interessante ressaltar que estudos prévios demonstraram que animais e humanos geralmente escolhem parceiros que se parecem com eles mesmos, tendência chamada de homogamia. Cientistas da Universidade de Pécs (Hungria) e da Universidade Estadual de Wayne (EUA) acreditam que a homogamia em humanos ocorre em parte por causa de 'impressões sexuais' [&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;sexual imprinting&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;] causadas pelo pai na menina durante a infância. Sob a olhar da psicanálise de tradição freudiana, o fenômeno poderia ser atribuído à atração que as mulheres sentiriam pelo pai -- o Complexo de Electra, contrapartida feminina do Complexo de Édipo. Os autores do estudo atual, no entanto, têm uma explicação diferente daquela proposta pelos seguidores de Freud. Os pesquisadores acreditam que a criança tende a criar um modelo mental do fenótipo do pai que é usado como parâmetro para a escolha de um parceiro. Segundo o psicólogo estadunidense Glenn E. Weisfeld, "Parece que, durante um momento crítico ou sensível da infância, um processo de 'impressão sexual' constrói um modelo do pai, que fica registrado no cérebro da menina. Algumas evidências sugerem que fatores olfativos e visuais podem estar envolvidos"&lt;a style="" href="#_edn7" name="_ednref7" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Georgia;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);font-size:130%;" &gt;3. O Amor como totem do imaginário de consumo e a impossibilidade do Amor.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Existe no imaginário feminino um culto inconsciente que se remete à figura singular e sedutora de Afrodite&lt;a style="" href="#_edn8" name="_ednref8" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Georgia; color: black;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Potencialmente, cada mulher carrega consigo seu desejo de ser ornamentada e conquistada pela sua beleza física e suas potencialidades que crivam as zonas de erotismo velado ou não. A indústria da estética sabe muito bem como tirar proveito deste imaginário feminino e faturam bilhões de dólares anualmente com uma miríade de produtos para aflorar o “desejo” e inflar o mito da “perfeição estética” em cada uma de suas consumidoras. Na clássica obra, “A arte de amar”, Eric Fromm sustenta que:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin: 5pt 0pt 0.0001pt 70.8pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; line-height: 150%; font-family: Georgia; color: black;"&gt;“Numa cultura em que prevalece a orientação mercantil, e em que o sucesso material é o valor predominante, pouca razão há para surpresa no fato de seguirem as relações do amor humano os mesmos padrões de troca que governam os mercados de utilidade e trabalho”&lt;a style="" href="#_edn9" name="_ednref9" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Georgia; color: black;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Para voltarmos à passageira do ônibus de descobriu que seu “ideal de amor” era comprometido maritalmente, é importante considerar novas condições a serem analisadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Em primeiro lugar, &lt;b style=""&gt;a mulher tende a amar o ideal simbólico do imaginário do “amor” e não o objeto a ser amado&lt;/b&gt;. Por isto, tal como qualquer bem material, a troca de parceiros não significa necessariamente a idéia de diluição do “amor”. Ninguém corará muito o rosto logo após que tocou o carro modelo antigo por um novo modelo mais versátil. O importante neste caso é a maximização do prazer que poderá ser representado sem avaliar com alguma sustentação as conseqüências e ilações em médio ou longo prazo do aparelho psíquico. Possivelmente, é neste âmbito de porosidade afetiva se situa &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;o início das raízes do número cada vez mais crescente de casamentos estéreis na hipermodernidade, movidos à velocidade da mercantilização emotiva e durabilidade cada vez mais volátil. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Em segundo lugar, as &lt;b style=""&gt;relações objetais&lt;/b&gt; impregnam no inconsciente &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;que o amor não está na relação afetiva mas na diluição na procura dos objetos. “Caso hoje e separo amanhã, e posso mudar tudo isto no dia seguinte”, são construções da busca frenética de reconstituição do falo ausente na mulher. O poder de decisão de buscar um caminho de auto-preservação e auto-suficiência são requisito básicos para poder reconstruir a idéia de autonomia de si e assim assegurar a condição de auto-determinação do “falo”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Em terceiro lugar, a “vingança do pai” assumido na posição de Electra permite inconscientemente encarar o outro como um inimigo visceral a ser combativo, ou seja, a personalização do objeto de amor. E como seria possível atingir o pleno prazer quando as relações são egoístas e agonísticas? Para o controvertido e combatido, psicanalista Willhem Reich, a “função do orgasmo” estaria constituindo somente para a junção de pleno movimento de emancipação e liberdade. Seria a mulher (conceito extensível também ao homem) capaz de ter construir um movimento de total libertação?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;Em quarto lugar, Amor e prazer sexual são esferas totalmente distintas e que podem (e devem) ser complementadas como um único todo. O temor da “entrega total” para o outro é o significado que tal ato pode acarretar para o sujeito. A preocupação narcísea é a sobrevivência do Ego. A angústia de não sucumbir o Ego perante o outro acarreta um resistência de “sobrevivência” na esfera sentimental. É preferível dentro de uma sociedade materialista de consumismo, ter relações estéreis, mercantis e pulverizadas e que não cause nenhum abalo na estrutura do aparelho psíquico. “Transar com este e com aquele, ontem, hoje e amanhã”, poderá dar uma falsa impressão de sustentabilidade e auto-afirmação do Ego e assim projetar o aparelho clitoriano como a afirmação do falo faminino. Todavia, esta construção da fantasiosa do imaginário feminino nunca escapará da eternidade do vazio existencial após cada gozo mercantil da sua agenda superlotada de excrescência da libido. Para o homem, o coito se torna uma necessidade de demonstração de sua identidade e virilidade no nicho social (em contrapartida, o fantasma da impotência seria o testamento da sua morte viril e psíquica). Já para a mulher, o gozo clitoriano ou vaginal é a necessidade de estar simplesmente viva e ainda carregar consigo o desejo de ser “mulher em plenitude”, ou seja, acreditar na “possibilidade de amar o Amor” acima de todas as coisas (mesmo que veladamente e nunca admita para o outro ou no casulo de sua esfera de influência social e afetiva). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;No hiperconsumo atingir a plenitude do Amor é impossível, um mero mito. Uma vez quer para o amor é necessário um desapego da matéria (somente no ato da maternidade é possível ainda ser visto o desprendimento material coexistente na relação “mãe-filho”). E conforme já foi destacado, segundo Reich, somente uma fusão entre prazer sexual e amor seriam os fatores de libertação e emancipação do ser humano e o que potencializaria a ter uma cosmovisão superior às propaladas pelas relações objetais movidos pelas concepções materialistas. Logo, a construção da plena liberdade emancipatória de homens e mulheres com bases em premissas mercantilizadas é simplesmente impossível. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Notas: &lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportEndnotes]--&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr size="1" width="33%" align="left"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="edn1"&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref1" name="_edn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; N&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia; color: black;"&gt;uma reportagem de um noticiário de televisão sobre a dispersão da AIDS em trabalhadores de transporte de carga, um caminhoneiro ao responder uma pergunta feita pelo repórter se ele usava preservativos nos relacionamentos com prostitutas e se o mesmo distinguia relações preferenciais com mulheres ou transexuais, disparou: “Eu não uso nada e o importante mesmo é o buraquinho”, salientou alegremente o distinto cavalheiro. Claro, a sexualidade é coisa de “macho”, dono imperial do falo ejaculador!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn2"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref2" name="_edn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;FREUD, S.  (1974).&lt;b style=""&gt; &lt;i&gt;Totem e tabu&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;.&lt;/i&gt; (J. Salomão, Trad.). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas  (Vol. XIII, pp. 13-168). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1913).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn3"&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref3" name="_edn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia;"&gt; Édipo é o herói lendário da tragédia grega, que se tornou o eixo principal da psicanálise moderna: o complexo de Édipo. Advertido por um oráculo de que, se tivesse um filho, este o mataria, Laio, o pai de Édipo, mandou perfurar os tornozelos de seu filho, quando este nasceu, e ligou-os com uma correia; daí este nome de &lt;i&gt;pé&lt;/i&gt; &lt;i&gt;inchado&lt;/i&gt; (Édipo). O servidor, que devia &lt;i&gt;abandoná-lo&lt;/i&gt; para que morresse, entregou-o a estrangeiros, pastores ou reis, conforme as lendas. Eles tomaram conta da criança. Já adulto e indo ter a Delfos, Édipo, por causa da prioridade de passagem num desfiladeiro estreito, mata Laio, ignorando que este era seu pai. Cumpriria assim o oráculo, sem o saber. Na estrada de Tebas encontra a Esfinge, um monstro que devastava a região. Ele o mata, é aclamado rei e recebe como esposa Jocasta, a viúva de Laio, sua própria mãe. Mas em conseqüência de oráculos obscuros do adivinho Tirésias, Édipo descobre que assassinou seu pai e desposara sua mãe. Jocasta se mata; Édipo arranca os próprios olhos. [CHEVALIER, J., GHEERBRANT, A. &lt;b style=""&gt;&lt;i&gt;Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números&lt;/i&gt;)&lt;/b&gt;. 12. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998.]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn4"&gt;  &lt;p class="sdfootnote-western"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref4" name="_edn4" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt; MOREIRA, Jacqueline de Oliveira. &lt;span style=""&gt;Édipo em Freud&lt;/span&gt;: &lt;span style=""&gt;o movimento de uma teoria&lt;/span&gt;. &lt;b style=""&gt;&lt;i&gt;Psicologia em Estudo.&lt;/i&gt; &lt;/b&gt;[online]. 2004, v. 9, n. 2, pp. 219-227. ISSN 1413-7372. Disponível em: &lt;a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1413-73722004000200008"&gt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1413-73722004000200008&lt;/a&gt; Acesso em 04 dez 2008. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn5"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref5" name="_edn5" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;CHEVALIER, J., GHEERBRANT, A. &lt;b style=""&gt;&lt;i&gt;Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números&lt;/i&gt;)&lt;/b&gt;. 12. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn6"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref6" name="_edn6" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;FREUD, S.  (1974). &lt;i style=""&gt;op. cit.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn7"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref7" name="_edn7" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-weight: normal;"&gt;ALBUQUERQUE. “&lt;span style=""&gt;Tal sogro, tal genro: Estudo sugere que mulheres tendem a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;escolher maridos parecidos com os pais”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;b&gt;&lt;i style=""&gt;Ciência Hoje On-line&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, 11 mai 2004. Disponível em: &lt;a href="http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/1812"&gt;http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/1812&lt;/a&gt; Acesso em: 03 dez 2008.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn8"&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref8" name="_edn8" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia;"&gt; Para a mitologia grega, Afrodite (Vênus)  é a deusa da mais sedutora beleza, cujo culto, de origem asiática, é celebrado em numerosos santuários da Grécia, principalmente na ilha de Citera. Filha do sêmen de Urano (o Céu) derramado no mar, após a castração do Céu por seu filho Cronos (daí a lenda do nascimento de Afrodite, que surge da espuma do mar); esposa de Hefestos, o Coxo, por ela ridicularizado em várias ocasiões. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn9"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref9" name="_edn9" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Georgia;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt; FROMM, Eric. &lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;A arte de amar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Belo Horizonte: Itatiaia, 1966, pág. 21.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-727492311999817217?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/727492311999817217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=727492311999817217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/727492311999817217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/727492311999817217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2008/12/reinaes-do-falo-em-busca-da-maximizao.html' title='REINAÇÕES DO FALO: Em busca da maximização do prazer e a mercantilização do Amor na Sociedade de Consumismo (1ª. Parte)'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/STj7sAjJb2I/AAAAAAAAAow/dGohQ2NFVL8/s72-c/reinacoesdofalo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-3105335445876540122</id><published>2008-11-25T23:38:00.008-02:00</published><updated>2008-11-26T06:15:24.859-02:00</updated><title type='text'>A VELOCIDADE PARA O VAZIO: Brevíssimo Ensaio sobre o Desvelo da “Sociedade do Consumismo”</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SSyxtfqxOXI/AAAAAAAAAng/2PNvwKs-U1c/s1600-h/consumismo1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SSyxtfqxOXI/AAAAAAAAAng/2PNvwKs-U1c/s320/consumismo1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272784658897123698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 0, 0);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;NOTA AO LEITOR:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Este é um texto de divulgação preliminar e especialmente formato para os leitores deste BLOG a partir de trabalho submetido e aprovado para o “&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;X Congresso Luso-Afro-Brasileiro&lt;/span&gt;” e deverá ser apresentado em Portugal (Braga, 2009). Artigo constituinte da série de trabalhos que buscarei tratar do estudo e reflexão a respeito da “sociedade do consumismo” como elementos de projeto de pesquisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;*  *  *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(51, 51, 153);font-size:85%;" &gt;“Quando se patina sobre o gelo fino, a segurança está em nossa velocidade.”&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(51, 51, 153);font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;(Ralph W. Emerson)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;1. Prólogo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osasco, região da grande São Paulo, quinta-feira, 20 de novembro. Entro numa livraria de um shopping-center local, e em meio à diversidade de livros de auto-ajuda acabei me deparando um título inusitado “Selma”&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[1]&lt;/span&gt;. Segundo a publicidade anexa à pilha de livros, foram vendidos mais de 400 mil exemplares do título que foi traduzido para dez diferentes idiomas -– um best-sellers! E para minimizar minha ignorância: quem ou o quê era Selma? A capa do livro já denunciava, mas apelando para meu “ateísmo-cristão” e invocando à incredulidade de São Tomé, não custava folhear a “obra-prima”. Enfim, ler para crer: Selma era uma simpática ovelha que dava aconselhamento emocional à cada página folheada no melhor estilo de “receita de bolo” para que seu angustiado leitor possa alcançar mais rapidamente a tal “felicidade”! As “lições” da simpática “ovelhinha do Bem” se somam à uma miríade de títulos que promete em doses homeopáticas o que todos anseiam vorazmente, ou seja, a materialização do impossível gozo total na tradução “mágica” da palavra “felicidade”&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[2]&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;2. Elementos para uma Sociologia do Consumo: “Amo tudo isso”?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade de consumo massificado, a priori, utilizando-se o termo “sociedade do consumismo” (que também poderá ser entendida como uma extensão da “sociedade de hiperconsumo” na acepção de Gilles Lipovetsky&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[3]&lt;/span&gt;), é a busca insaciável e imediata pela idéia da possibilidade de encontrar a “felicidade”, seja ela qual for seu formato, significado ou essência. Com o aperfeiçoamento das estruturas capitalistas, o consumo de mercadorias vai além de sua mera aquisição de suporte à existência e a sobrevivência humana. No mundo ocidentalizado e globalizado pela complexidade de eventos e informações, trouxe o advento da hipermodernidade, marcada por dois pilares fundamentais: o mercado liberal e a democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hiperconsumo vai além das necessidades básicas e transforma mercadorias em mecanismos de prazer individualista e egocêntrico. A mistificação e o caráter fetichista fazem com que as mercadorias assumam significados que ultrapassam as suas bordas de meros objetos inanimados e adquirem vida autônoma no lastro da sociedade de consumo. Nunca na história das sociedades ocidentais foi possível produzir velozmente uma miríade de bens materiais possibilitando a conquista de um elevado padrão de bem-estar. No entanto, com o hiperconsumo, tudo se configura em mercadorias consumíveis, onde não existem limites na busca frenética para a saciedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(204, 0, 0);"&gt;3. Consumo, logo existo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade do consumismo é aquela onde são emersas todas as promessas que possam ser atraentes e cativantes e, por sua vez, nunca realizadas ou saciadas pelos seus consumidores. Para tal intento, é necessária uma construção simbólica e afetiva que liga a mercadoria ao seu consumidor potencial. A reificação da mercadoria é uma característica da moderna sociedade capitalista e no hiperconsumo existe uma correção também afetiva que não poderá ser descartada. A aquisição de um aparelho de telefonia móvel, por exemplo, não serve apenas para realizar uma simples comunicação entre os indivíduos, mas algo que se torna um objeto com “vida autônoma”. Uma miríade de acessórios é criada para adornar o aparelho celular, incluso aí “vestimentas” e diversos adereços que dão “vida” ao objeto inanimado. Aqui, insisto na questão de um amplo dimensionamento da afetividade impregnada na hipermodernidade onde as relações entre objetos e indivíduos estão no mesmo patamar de interações possíveis repercutindo em todas as esferas de consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida cotidiana numa sociedade onde consumo desenfreado é imperativo se constituiu em relações objetais. O vazio intrínseco dos relacionamentos afetivos é tão profundo que o ato do casamento, antes de tudo, se tornou muito mais um grande lucrativo negócio para a “indústria do matrimônio”. A liquidez efêmera dos laços afetivos possui a mesma dimensão imediatista para saciar o desejo, tal como a aquisição de qualquer mercadoria na prateleira de supermercado. A “indústria cultural”, termo trabalhado inicialmente por Theodor Adorno e Max Hokheimer era uma crítica a sociedade do consumo de massa (transformação da cultura em mercadoria&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[4]&lt;/span&gt;) e, pela égide antropofágica do capital, tudo parece ter sua própria “indústria” para atender a demanda consumista: das curas milagreiras de pastores neopentecostais ao circuito velado do sexo explícito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(204, 0, 0);"&gt;4. Consumir, gozar e descartar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisas e pessoas estão no mesmo nível de possibilidades de consumo, ou seja, os laços mercantis se aprofundam na dimensão da relação íntima do consumidor com o seu objeto desejado. Adquirir um modelo mais atualizado de carro, um novo parceiro sexual ou talvez o mais novo modelo de iPod? O que poderá trazer maior satisfação imediata para o consumidor na angústia de ser “feliz” visando preencher o vazio suscitado pelo aparelho psíquico inerente do hiperconsumo? Transcrevendo uma das assertivas de Zygmunt Bauman, “para que as expectativas se mantenham vivas e novas esperanças preencham o vazio deixado por aquelas já desacreditadas e descartadas, o caminho da loja à lata de lixo deve ser curto e a passagem, rápida”&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[5]&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um retrato pertinente são as campanhas publicitárias do totem de consumo-mor das sociedades ocidentalizadas: o automóvel. Nas peças publicitárias, a idéia impregnada não é “vender” meramente uma mercadoria, mas construir a simbologia do objeto, ou seja, uma verdadeira “adoração” pela mercadoria por meio da hipertrofia de um fetichismo erotizado e sedutor. Mulheres belas e “fatais”, velocidade, classe, estilo e paisagens surreais mapeiam o cenário idílico e viril da propaganda televisiva: será que você é digno de possuir tal mercadoria? -- diz implícito (ou explicitamente) o mote da propaganda. Neste campo de patente reificação, não é o consumidor que escolhe a mercadoria, mas é justamente o contrário: a mercadoria que “escolhe” seu potencial consumidor e em troca é a “conquista” da satisfação plena e gozo total&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[6]&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(204, 0, 0);"&gt;5. Necessidades coletivas, ações atomizadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política é sucumbida pela via do mercado e a liderança da autoridade é apenas uma commodity desta liberdade de suposta emancipação e conduzindo à uma desterritorização do espaço público. A democracia liberal se estabelece meramente por via de processos eleitorais e tampouco se trata de uma democracia de acesso aos meios de produção. A mobilidade social é mais uma ilusão que se acrescenta no ideário do liberalismo da democracia política. Tais como a proliferação dos shopping-centers, os espaços privados de consumo substituem os espaços públicos livres da opressão consumista. A autonomia é arregimentada pelas “forças do mercado” e moldada pela tirania das marcas esvaziando-se os sentidos e significados do coletivo em prol da saciedade nunca satisfeita do indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “espaço político” é um entreposto possível entre a política desejada e os interesses de fomentadores financeiros das campanhas políticas (patrocinado por grandes corporações econômicas). Uma campanha política “vitoriosa” se tornou em sua essência um show midiático com as mesmas concepções que se vende um novo lançamento automotivo da corporação automobilística ou uma caixa de sabão em pó “de marca”. Carros, políticos e sabonetes estão disponíveis no mercado para o usufruto do seu consumidor com quase todas as premissas derivadas de uma boa campanha de marketing. Poderia a política coibir as práticas coercitivas do consumo midiático uma vez que seus atores políticos são financiados pelas grandes corporações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do rol programático entre partidos da direita e da esquerda do espectro político, transformam a idéia de espaço público numa alegoria em desuso. A privatização da política destina em entregar ações coletivas nas mãos dos indivíduos em decisões atomizadas. Na diluição dos partidos políticos, cabe a agremiações privadas, tais como as organizações não-governamentais (ONGs), trabalharem com a “coisa pública” de acordo com as diretrizes dos seus sócios. Seguindo à lógica de privatização do espaço público, a idéia vaticinada pelos pedágios em estradas e vias de acesso é uma clara demonstração que somente é possível construir uma sociedade com ações atomizadas. Logo, cabe então ao cidadão-consumidor arregaçar as mangas e resolver por si mesmo todas as ações que deveriam ser necessariamente construídas coletivamente. Na sociedade dos indivíduos à única política possível é aquela que satisfaz as urgentes necessidades de consumo individualizado e narcíseo. Assim ressalta Michel Maffesoli: “É importante levar a sério o descaso para com os diversos ativismos que marcaram a modernidade (política, produtiva): aquilo que não depende de nós torna-se indiferente”&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[7]&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(204, 0, 0);"&gt;6. Das inconveniências da cidadania à cultura narcísea da sociedade dos indivíduos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lançamento local de uma mercadoria será um evento mundial se sua produção estiver de uma forma conectada à alguma empresa capaz de transacionar seus interesses globalmente. Nessa esfera de “satisfação”, todas as mercadorias prometem a satisfação plena, sedutora e imediata do seu consumidor. Estampada em capas de revistas ou na televisão, as “tecnologias da saúde” estão acessíveis ao mercado consumidor com suas fórmulas que prometem aos seus usuários todos os sortilégios inerentes à felicidade, perfazendo desde as promessas da hercúlea virilidade movida à Viagra à amenização do desprazer na composição do Prozac. Por sua vez, a indústria farmacêutica desprende percentual significativo do total de seus de investimentos no uso sistemático da máquina de construção de marketing de seus produtos para o mercado. Os medicamentos deixam de ser condicionantes para a recuperação e profilaxia de moléstias e enfermidades para se tornar também alvo de objetos de consumo sem prescrição médica &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[8]&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não consome ou não tem condições de consumir é um pária deste sistema &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[9]&lt;/span&gt;. O capitalismo supera os demais sistemas ideológicos-socioeconômicos quando mantêm em suas bases fundamentais premissas que nenhum outro sistema promete ou consegue se sustentar: a possibilidade de satisfação material e sensorial dimensionada na saciedade do gozo total. O consumidor nunca está satisfeito com o gozo parcial e possível, e logo deseja atingir sempre a maximização de sua satisfação e assim alcançar o que ele acredita ser a “felicidade” tão ansiada. Segundo a análise de Maffesoli, “o gozo não mais é remetido a hipotéticos e 'róseos amanhãs', e sim vivido, seja lá como for, no presente”&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[10]&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As relações objetais11 são constituídas na esfera da mercadoria e adquire alguma consistência afetiva na medida em que seja possível encontrar os mecanismos sensoriais do gozo total na psicopatologia da sociedade de consumismo. Num sistema onde o culto à aparência contribui na mediação entre seus indivíduos, a segurança é vital para diminuir a insegura angústia e fragilidade do indivíduo. “Estar à frente da tendência de estilo”, como ressalta Bauman&lt;span style="color: rgb(102, 0, 204); font-weight: bold;"&gt;[12]&lt;/span&gt;, significa uma tentativa de encontrar a si mesmo (ou seja, o indivíduo-consumidor) num mundo onde suas relações materiais e imateriais são mercantis, líquidas, efêmeras e passageiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hipermodernidade a cultura do “corpo perfeito” é o objeto de desejo, ostentação e auto-identidade ansiado a qualquer custo dentro e fora das academias de modelagem estética. Dentro das estruturas psicopatológicas desse processo, dois fenômenos distintos na forma, mas unívocos em sua dimensão referentes aos estilos de vida do hiperconsumo: a obesidade e a anorexia. Sedentarismo, compulsão alimentar, vaidade, angústia e vergonha são elementos intrínsecos de um modelo de vida onde a forma sobrepõe o conteúdo. No caso da obesidade, típico das sociedades modernas de consumo, são os excessos alimentares aliada ao sedentarismo que dão vazão à inseguraça e angústia do vazio. No caso da anorexia (também conhecida como “anorexia nervosa”) ocorre mais comumente em mulheres jovens e, em linhas gerais, como descreve Anthony Giddens, “(...) pode ser entendida como uma patologia do autocontrole reflexivo, operando em torno de um eixo de auto-identidade e aparência corporal, em que a vergonha desempenha papel preponderante”&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[13]&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A erosão da identidade permite que o indivíduo somente passe a sobreviver no limite imerso num mundo de liquidez de valores e a transformação do próprio corpo como elementos atávicos de sua construção da auto-identidade. Desta maneira, o “corpo perfeito” é ditado pelo consumo, ou o que os “outros” (ou seja, as “as concepções estéticas do mercado”) ditarem como “modelos padronizados” a serem cultuados e mimetizados. Para trilhar estes caminhos, são importantes os estudos de Michel Maffesoli a respeito do estudo das “tribos” e o processo de construção da identidade da sociedade dos indivíduos dentro do hiperconsumo. Ainda é fecundo analisar também que tais indivíduos anseiam se desvencilhar da “multidão” na medida em que se inserem em “tribos” que coadunam com seus ideais de consumo e estilo de vida (processo que pode ser identificado pela “individualização” pelo coletivo). Para isto procuram até mesmo mutilar seu próprio corpo mais bem caracterizado pela ostentação de adornos de metal e similares, os chamados piercings, além da dispersão de tatuagens que marcam o corpo de forma à chamarem atenção para si &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[14]&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;7. Epílogo: O insaciável moto-contínuo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sociedade de consumismo o indivíduo existe na medida em que consome para além de suas necessidades e fazendo parte da cadeia de replicação do eixo produção-consumo-insaciedade. Todavia, a possibilidade de chegar a mecanismos de satisfação pessoal nunca se concretiza e os indivíduos convertem um possível advento da felicidade em ansiedade e angústia. As construções da hipermodernidade trazem conseqüências deletérias para a constituição da sociedade e permite o aprofundamento do fosso social que gera e amplifica a barbárie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;_______________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;Notas:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[1]&lt;/span&gt;    BAUER, Jutta. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Selma&lt;/span&gt;. São Paulo: Cosac Naify, 2007.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[2] &lt;/span&gt;  Numa rápida busca no site da Livraria Cultura, uma grande empresa paulista especializada no ramo, foi encontrado 239 títulos com a palavra “felicidade” estampada na capa.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[3]&lt;/span&gt; LIPOVETSKY, Gilles. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo&lt;/span&gt;. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 204); font-weight: bold;"&gt;[4]&lt;/span&gt;  ADORNO, Theodor e HORKHEIMER, Max. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A dialética do esclarecimento&lt;/span&gt;. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 204); font-weight: bold;"&gt;[5]&lt;/span&gt;    BAUMAN, Zygmunt. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vida líquida&lt;/span&gt;. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,2007, p. 108.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 204); font-weight: bold;"&gt;[6]  &lt;/span&gt;A análise do automóvel como um dos principais elementos de reificação na sociedade consumista merece uma atenção pormenorizada à parte pelas dimensões psicanalíticas que envolve seu estudo e que escapa do objetivo do presente trabalho.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 204); font-weight: bold;"&gt;[7]&lt;/span&gt;  MAFFESOLI, Michel. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas sobre a pós-modernidade: o lugar faz o elo.&lt;/span&gt; Rio de Janeiro: Atlântica, 2004, p. 45.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[8]&lt;/span&gt;   Não é de causar estranheza que a maioria das farmácias disponíveis numa cidade como São Paulo são verdadeiros shopping-centers onde é possível encontrar uma miríade de produtos, inclusive medicamentos!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[9]  &lt;/span&gt;O capitalismo globalizado é movido à disponibilidade de crédito no oceano da volatilidade especulativa financeira. Praticamente é possível dizer que toda crise dentro do capitalismo é movida à superacumulação, superprodução, colapso de liquidez recaindo na pulverização da “confiança” dos mercados. A primeira grande crise do capitalismo estadunidenses do século XXI (a quebra de Wall Street, 2008) teve como prenúncio com a falência creditícia do setor imobiliário. Quando as artérias da bolha de consumo via crédito muito facilitado e se encontraram interrompidos, estará em risco os próprios alicerces moldais das roldanas do sistema capitalista. Não consumir significa estagnar o estoque de produção e assim causar um desequilibro no instável castelo de cartas onde se apóia todos os atores e “players” globais do modelo. Diante do colapso econômico estadunidense e com a retomada do “keynesianismo civil”, a utilização das reservas do tesouro dos Estados Unidos para injetar no setor privado em torno de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5,6 trilhões de dólares&lt;/span&gt; (previsão a ser alcançada até o limiar de 2009) . Deste montante, uma parte é para salvar da falência empresas que quebraram no cassino financeiro global (ou seja, a socialização das perdas privadas movida à dinheiro público do contribuinte -- o capitalismo sem riscos!) e o restante é para reaquecer o mercado de crédito e recuperar a “confiança” dentro do mercado de consumo estadunidense.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 204); font-weight: bold;"&gt;[10] &lt;/span&gt; MAFFESOLI, Michel, ibid., p. 29.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 204); font-weight: bold;"&gt;[11] &lt;/span&gt; No esforço de aproximação da Psicanálise para o presente estudo, compreendo que não se concebe o objeto separado da qualidade do relacionamento com o sujeito.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[12]&lt;/span&gt; BAUMAN, Zygmunt. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vida para consumo: a transformação de pessoas em mercadorias.&lt;/span&gt; Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 0, 204); font-weight: bold;"&gt;[13] &lt;/span&gt;GIDDENS, Anthony. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Modernidade e Identidade.&lt;/span&gt; Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(102, 0, 204);"&gt;[14] &lt;/span&gt;Aqui está presente um tom de desespero do self em busca de identidade e identificação pelo “outro” e a insegurança de não sucumbir ao vazio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-3105335445876540122?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/3105335445876540122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=3105335445876540122' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/3105335445876540122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/3105335445876540122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2008/11/velocidade-para-o-vazio-brevssimo.html' title='A VELOCIDADE PARA O VAZIO: Brevíssimo Ensaio sobre o Desvelo da “Sociedade do Consumismo”'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SSyxtfqxOXI/AAAAAAAAAng/2PNvwKs-U1c/s72-c/consumismo1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-1376817159094300982</id><published>2008-11-07T10:21:00.014-02:00</published><updated>2008-11-07T10:59:38.878-02:00</updated><title type='text'>A América Racista: Intolerância, Preconceito e Ódio nos Subterrâneos dos Estados Unidos </title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SRQzj14-zKI/AAAAAAAAAmY/SVxtaHLFcLo/s1600-h/ku_klux_klan_338_504.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SRQzj14-zKI/AAAAAAAAAmY/SVxtaHLFcLo/s320/ku_klux_klan_338_504.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265890555157466274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="CONTENT-TYPE" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="BrOffice.org 2.4  (Win32)"&gt;&lt;style type="text/css"&gt; 	&lt;!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 	--&gt; 	&lt;/style&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Barack Obama consolidou sua vitória nas eleições presidenciais dos Estados Unidos construindo um poderoso leque de alianças com diversos setores da sociedade estadunidense, incluindo neste nicho os setores financeiros mais poderosos e apoios de grupos multirraciais. De um quase desconhecido senador democrata do estado de Illinois em 2004 para o homem no cargo mais poderoso do planeta, o “fenômeno” Obama não apenas angariou amplo apoio em torno do seu nome, mas também poderá suscitar os intranqüilos fantasmas xenófobos dos escombros de uma sociedade que busca impor fora  do seu território um modelo imperialista com a cosmopolita &lt;b&gt;bandeira da democracia&lt;/b&gt; (claro, nos moldes da política estabelecida por Washington).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O fato de ser o primeiro presidente negro da história estadunidense não apenas se tornou motivo de grande esperança e entusiamo para comunidade afrodescendente daquele país, mas sobretudo passou a vingar um sentimento de insegurança e preocupação para o serviço secreto dos Estados Unidos. Após o rescaldo da euforia eleitoral proveniente da &lt;b&gt;Onda Obama&lt;/b&gt;, certamente um dos grandes desafios do futuro presidente estadunidense é garantir o cumprimento do seu mandato ileso, se esquivando fisicamente do ódio racial de grupos fascistas que ainda lutam pela “supremacia branca” dentro do interior dos Estados Unidos. Certamente, se manter vivo nos próximos anos não será uma tarefa muito fácil para o presidente Obama e seus seguranças. Desta vez, o "grande mal" não serão os propalados “terroristas” de Osama Bin Laden ou grupos extremistas muçulmanos espalhados pelo Oriente Médio e Ásia que  salvaram do ostracismo a administração do primeiro mandato de George W. Bush e mobilizou o império para sua babilônica “cruzada contra o terror”. Ao ganhar a inédita corrida à Casa Branca, Obama correrá o risco de dormir com o inimigo e não acordar mais de seus sonhos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Segundo matéria do diário carioca, Jornal do Brasil, a ONG estadunidense Southern Poverty Law Center (SPLCenter), com sede no estado do Alabama, &lt;b&gt;mapeou 762 grupos racistas nos Estados Unidos&lt;/b&gt;, ligados a seis organizações diferentes.  Desse total, 161 são agrupados na categoria ''outros'', que não têm uma linha específica de ação. Destaque para as três  principais organizações que pregam a xenofobia explícita dentro dos Estados Unidos: a histórica &lt;b&gt;Ku Klux Klan&lt;/b&gt;, os &lt;b&gt;neo-nazistas&lt;/b&gt; que são os resquícios da ideologia do nazismo alemão e um nicho de afrodescendente de intolerância reunidos nos &lt;b&gt;Separatistas Negros.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A &lt;b&gt;Ku Klux Klan&lt;/b&gt;, a mais antiga das organizações racistas que apregoam o catecismo da “supermacia branca” dentro do território estadunidense, tem 162 grupos associados e surgiu no fim da guerra Civil, em 1865, quando perseguia os negros no Sul do país. Ao longo dos anos, estendeu seu ódio aos judeus, homossexuais e, mais recentemente, aos católicos. Há oito décadas, os números da Ku Klux Klan impressionavam: cerca de 5 milhões de integrantes. A matéria do Jornal do Brasil ainda ressalta que o SPLCenter admite que o número atual é estimado em 7 mil integrantes e poderá ser maior, uma vez que hoje em dia muitos dos filiados preferem manter sua identidade em segredo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A segunda maior organização xenófaba são os &lt;b&gt;neo-nazistas&lt;/b&gt;, com inspiração nas pregações de Adolf Hitler que comandou a política do nacional-socialismo (nazismo) na Alemanha (1933-1945). A facção estadunidense neo-nazista concentra seu ódio nos judeus, mas também perseguem gays e cristãos. Têm 158 grupos cadastrados. Também atacam os judeus 28 grupos ligados à Identidade Cristã, de brancos. Pouco antes da vitoriosa eleição de Obama, a inteligência secreta dos Estados Unidos prendeu dois jovens neo-nazistas em solo estadunidense acusados de armarem um suposto plano para assassinar o então candidato democrata.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os&lt;b&gt; Separatistas Negros&lt;/b&gt; representam os valores xenófobos da “supremacia negra” estadunidense e têm 108 grupos cadastrados e são a terceira maior organização racista do país. Tal grupo se opõe à integração das diferentes raças chegando até mesmo a pregar a criação de uma nação negra. E, embora formada por integrantes de uma das minorias atacadas pelos segregacionistas brancos, é considerada pelo SPLCenter tão racista quanto as outras organizações. O paradoxo pode ser preocupante se o ódio extrapolado de um grupo que exalta uma “supremacia negra” arquitetar contra a vida de um representante afrodescendente, uma vez que é possível que seus membros possam se sentirem “traídos” ao longo da administração de um presidente negro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt;Segundo&lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; a &lt;b&gt;Agência AFP&lt;/b&gt;, o site do Ku Klux Klan, advertiu nesta semana para as conseqüências de uma administração Obama. "Muitos brancos deste país vão despertar", com a eleição de Obama, afirmou um intitulado Thomas Robb. Ainda seguindo a matéria da &lt;b&gt;Agência AFP&lt;/b&gt;, em carta ao serviço secreto estadunidense, Bernnie Thompson, um membro do Congresso negro de Mississippi, escreveu "Como afro-americano que foi testemunha de alguns dos dias mais vergonhosos da história deste país durante a luta do movimento pelos direitos cívicos, sei que o ódio de alguns dos nossos concidadãos pode levar a horríveis atos de violência".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não apenas grupos racistas  que se declaram abertamente ou franco-atiradores de típicos assassinatos em massa dentro das escolas estadunidenses  se  constituem num real perigo para o presidente Obama. É importante destacar que grandes interesses de grupos políticos e econômicos são os maiores assassinos de líderes ao longo da história da humanidade. Para o mesquinhos interesses das “corporações”, as grandes empresas do capitalismo mundial, nada e absolutamente nada parece está acima dos seus lucros bilionários. Como bem ressaltou matéria da &lt;b&gt;Agência AFP&lt;/b&gt;: “A cor do novo presidente é apenas uma das fontes de preocupação suplementares, em um país que tem 200 milhões de armas de fogo responsáveis por 30.000 mortes por ano, onde quatro presidentes foram assassinados no exercício de suas funções e onde vários outros foram alvos de tentativas de assassinato.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os assassinatos de ativistas e líderes negros é tão enraizados na cultura de grupos xenófobos estadunidenses que as preocupações com a segurança de Obama serão cada vez maiores. Naturalmente, qualquer um no cargo de chefe-mor da Casa Branca que tem a envergadura de poder acionar o maior arsenal bélico do mundo e destruir a Terra por completo, independentemente de qualquer situação fora da "normalidade" já causaria grande celeuma na  equipe de segurança pessoal. Adicionando a cor da pele, a tarefa para o serviço secreto de proteção ao presidente irá se multiplicar. Martin Luther King e Malcom X, dois dos principais nomes do ativismo negro estadunidense assassinados na década de 1960 pelo ódio racial são trágicos exemplos que a barbárie é tão resistente quanto o desejo de liberdade e emancipação humana.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt; &lt;span style=";font-family:Georgia,serif;font-size:100%;"  &gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial,sans-serif;"&gt;Para  ler mais&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt; &lt;span style=";font-family:Georgia,serif;font-size:85%;"  &gt;&lt;b&gt;AGÊNCIA AFP&lt;/b&gt;&lt;span style=""&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um dos próximos desafios de Obama será sua própria segurança&lt;/span&gt;. 6 Nov 2008. &lt;/span&gt;Disponível em:&lt;/span&gt;&lt;style type="text/css"&gt;margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 	--&gt;&lt;/style&gt;&lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;meta equiv="CONTENT-TYPE" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="BrOffice.org 2.4  (Win32)"&gt;&lt;style type="text/css"&gt; 	&lt;!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 	--&gt;&lt;/style&gt;&lt;span style="font-family:Georgia, serif;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2008/11/06/ult34u213872.jhtm&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. &lt;span style=";font-family:Georgia,serif;font-size:85%;"  &gt;&lt;http: br="" ultnot="" afp="" 2008="" 11="" 06="" jhtm=""&gt;Acesso em 6 Nov 2008.&lt;/http:&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-1376817159094300982?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/1376817159094300982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=1376817159094300982' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/1376817159094300982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/1376817159094300982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2008/11/amrica-racista-intolerncia-preconceito.html' title='A América Racista: Intolerância, Preconceito e Ódio nos Subterrâneos dos Estados Unidos '/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SRQzj14-zKI/AAAAAAAAAmY/SVxtaHLFcLo/s72-c/ku_klux_klan_338_504.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-1005500651064940614</id><published>2008-10-24T07:17:00.013-02:00</published><updated>2008-10-24T07:59:44.135-02:00</updated><title type='text'>O Miojo Eleitoral: a Política como Mercadoria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SQGT_ISPpSI/AAAAAAAAAlA/HYsKEsSu76E/s1600-h/serra-e-kassab.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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Como se fosse farinhas políticas do mesmo saco de maldades, este tipo de análise esterilizada da política passa para o desatento "cidadão" que seu título de leitor serve para eleger o síndico de plantão. A TV Globo através do seu &lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Jornal Nacional&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; chegou até mesmo fazer uma série de reportagens buscando falsamente comparar as eleições para prefeito deste ano à de um síndico de algum prédio de meia-dúzia de condôminos. Aliás, mote excelente para os candidatos a rapinagem ou usurpação do erário público se metamorfosear em suas falácias eleitoreiras sem a menor preocupação da construção política que o cargo de prefeito deveria exigir de fato.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Outro fato que já vem sendo um lugar-comum é a mesmice pirotécnica do milionário marketing eleitoral. Não faz muita diferença comprar um sabão em pó ou votar num candidato à algum cargo público: a propaganda mercadológica é a mesma. Tudo é tão cretinamente clonado que parece difícil distinguir quem é esquerda ou direita no espectro político. Sim, não vamos cair nas lorotas neoliberais que o fim das fronteiras ideológicas acabou e agora tudo se passa por um "novo horizonte político"... As premissas ideológicas neoliberais são tão consistentes quanto o derretimento das bolsas de valores pelo mundo à fora com selo "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Made in USA&lt;/span&gt;". Bobagens demagógicas à parte, o caso das eleições paulistas é emblemático.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Marta Suplicy e Gilberto Kassab travam um embate de números bem ao estilo das campanhas do "rouba-mas-faz" de Paulo Maluf: os macro-números das idílicas promessas. Ambos prometem uma quantidade infinitesimal de obras e serviços desconexos da realidade e numa competição em busca do Santo Graal do altruísmo paulistano. O confronto se acirra quando se é para ver quem “já fez mais por São Paulo”. Ótimo para o “síndico” Kassab e péssimo para o Partido dos Trabalhadores (PT) de Marta entrar neste estúpido jogo folclórico &lt;i style=""&gt;a &lt;st1:personname productid="la Maluf. Gilberto" st="on"&gt;la&lt;span style="font-style: normal;"&gt; Maluf.  Gilberto&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; Kassab dos Democratas (DEMO), atual sigla do latifundiário partido de coronéis do antigo Partido da Frente Liberal (PFL) e extensão do braço político que apoiou o regime militar, é uma daquelas raposas políticas que adere a qualquer coisa para se manter no poder. Nestas eleições, Kassab se esforça para posar a todo o momento de Virgem Santa Imaculada, mas dissimula que trabalhou para Paulo Maluf e seu antigo boneco político, o desastroso ex-prefeito Celso Pitta. A votação do atual prefeito Kassab, além de usar a máquina pública para fazer sua propaganda pessoal, sua extensa votação conquistada no primeiro turno das eleições e nas  favoráveis pesquisas eleitorais do segundo turno só esta sendo possível devido a sede incontrolável de poder do governador José Serra que além de sabotar a campanha do tucano Geraldo Alkimin de sua legenda partidária, apoiou Kassab ainda no primeiro turno. O governador, como sempre, bem ao estilo tucano, faz uma coisa de depois nega que fez ou vice-versa. Vale também lembrar que o arrogante e camicase  conservadorismo típico da  classe média paulistana é um peso considerável na desequilíbrio da balança.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Kassab, um desses parasitas de gabinete que destila o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;puxa-saquismo&lt;/span&gt; político para sobreviver e reproduzir assexuadamente. Ancorado na lascívia eleitoral de Serra, deu as costas para seu antigo padrinho político, Paulo Maluf, e caiu na plumagem dos tucanos. A eleição para prefeito de Serra, em 2004 (alguém se lembra?) foi apenas um trampolim para chegar ao governo do Estado e alavancar sua candidatura ao Palácio do Planalto em 2010. Unidos no plano nacional desde o primeiro governo de Fernando Henrique e amplamente aderente no governo de São Paulo desde Mário Covas, PSDB e Frente Liberal, vale lembrar que existiu até um mal-estar inicial na aliança paulistana entre tucanos e PFL na campanha de 2004 em torno no nome de Gilberto Kassab como vice-prefeito na chapa do então candidato José Serra. Porém, como tudo na política do toma-lá-dá-cá, as coisas se assentaram e nada que uma bela e farta distribuição de cargos e benesses não agradassem as famélicas partes descontentes. É mais do que interessante para Serra a vitória do seu atual boneco de ventrículo, Kassab, uma vez que o PSDB se manterá na unificação tucana do poder &lt;st1:personname productid="em São Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:personname&gt; e pavimentando com mais vigor a estrada do imenso ego do governador para pousar em Brasília em 2010.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Já o PT de Marta com uma campanha recheada de efeitos mercadológicos e pirotécnicos contribuiu para a campanha do seu adversário. Pouco adiantou a ilustração do presidente Lula na campanha de Marta. Kassab, tal como um sabonete, é um produto do marketing político e ponto final. Quando o PT transforma sua candidata numa garota propaganda do Bom-Bril político das mil e uma utilidades, cai na vala-comum qualquer diferença entre a política necessária para uma cidade e os devaneios sensacionalistas desembrulhados nas cabeças dos marqueteiros de plantão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Na democracia de representação do capital, o poder financeiro é fundamental para a eleição de seus candidatos. Os nomes não surgem apenas por acaso como brotam chuchu entre a cerca do quintal (sem fazer alusões ao apelido do enjeitado tucano, Geraldo Alkimin). Na esfera da política como mercadoria, praticamente não é interessante discutir as abissais construções da desigualdade que reina absoluta numa cidade como São Paulo. Entre um clique do fotógrafo e uma peça publicitária, é melhor pavimentar com uma fina casca de asfalto uma rua sem esgoto encanado, beijar uma criança desnutrida e pousar com largo sorriso para os holofotes da televisão do que realmente tocar nas atávicas estruturas socioeconômicas da crueldade urbana.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Nas eleições paulistanas, a mesmice estéril continua a germinar a todo vapor na votação do novo “síndico”. Chegam-se ao absurdo dos candidatos brigarem pela paternidade da mesma promessa eleitoreira. E na esteira do teatro dos absurdos, entre tantas de suas demagogias, o prefeito Kassab apareceu em público e depois virou &lt;i style=""&gt;jingle&lt;/i&gt; de campanha, a “promessa” que jura aos quatro ventos que a passagem de ônibus não irá subir em 2009! Todavia, oculta da população o quanto irá disponibilizar dos generosos subsídios para alimentar as quadrilhas organizadas que tomou conta do sistema de transporte público da cidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;A política mais uma vez se torna vítima da sede insaciável pelo poder a qualquer custo e dá vazão para a construção mercadológica quando as necessidades públicas são produtos para consumo individualizado, imediato e descartável. Resta então ao eleitor desatento, colocar o &lt;i style=""&gt;miojo&lt;/i&gt; eleitoral na urna com cara de freezer, marcar quarto anos e apertar o botão. E procurar então ficar esperando bem acomodado na cadeira...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-1005500651064940614?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/1005500651064940614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=1005500651064940614' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/1005500651064940614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/1005500651064940614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2008/10/o-miojo-eleitoral-poltica-como.html' title='O Miojo Eleitoral: a Política como Mercadoria'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SQGT_ISPpSI/AAAAAAAAAlA/HYsKEsSu76E/s72-c/serra-e-kassab.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-3775795559258179551</id><published>2008-08-28T08:55:00.003-03:00</published><updated>2008-08-28T09:07:35.661-03:00</updated><title type='text'>Resistência ou Resignação?  [ 1a. Parte ]</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SLaUBumb96I/AAAAAAAAAiQ/NUvhPCaqlVw/s1600-h/colher.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SLaUBumb96I/AAAAAAAAAiQ/NUvhPCaqlVw/s320/colher.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239537973902178210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:130%;" &gt;Ensaio para a biópsia do capital e a sociedade de controle do (i)material&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vivemos numa era de conflitos. Cínicos, subterrâneos ou psicológicos. O alardeado homem moderno não é mais do que um tenaz serviçal atávico do tempo, atado pelas construções de um materialismo vulgar e consumista, aliada há uma dinâmica pseudo-erotizada do seu &lt;/span&gt;&lt;b style="font-style: italic;"&gt;self&lt;/b&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;. Os apegos desmedidos pelos elementos narcíseos constituem em um invólucro dentro de uma pós-modernidade que cultiva o libelo individualista dentro dos nichos ou grupos de indivíduos que anseiam uma socialização. O que trata nossos atos e nossas ações? Como entender o homem dentro da esfera socioeconômica movido pelos seus desejos narcíseos e antropofágicos?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;        &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Para o dicionário Houaiss, a expressão “&lt;b style=""&gt;resignação&lt;/b&gt;” é traduzida entre outras possibilidades similares como sendo a “&lt;i style=""&gt;submissão à vontade de alguém ou ao destino&lt;/i&gt;” ou ainda, “&lt;i style=""&gt;aceitação sem revolta dos sofrimentos da existência&lt;/i&gt;”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Tudo parece ser inevitável quando abrimos os jornais da grande mídia pela manhã ou assistimos os noticiários televisivos. O mercado é a democracia liberal são os braços de um sistema quase absoluto e que tudo deve ser regido em sintonia com esta superestrutura simbólica e material. A aceitação passiva de um dado fenômeno é a amputação de qualquer possibilidade a ser realizada em um futuro próximo ou distante. Aceitamos a inevitabilidade quase divina que nossas vidas devem ser regidas por parâmetros os quais um punhado de indivíduos impõe subliminarmente ou não para todo um contingente social. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Quais os resgates abissais possíveis dentro de um universo de resignação? Dentro de uma esfera social onde se repercute ações individualistas sobre um coletivo, sejam passivas ou não, subentende-se a aceitação ou o descarte com maior ou menor grau de interação. Quando se opta pelos valores munidos pelo desejo de auto-satisfação à custa do outro, o que importa para este indivíduo é a satisfação plena e imediata do seu próprio &lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;self&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. É possível detectar implicitamente uma variante do “dilema do prisioneiro” em busca da maximização do prazer e minimização do desprazer: ou ajo agora e “lucro” neste momento, ou fico aguardando uma expectativa que possa vir a ser um desprazer posterior. O ato que permeia tal ação é o imediatismo que extrapola as considerações a respeito do outro a sua volta. Toda ação humana é movida pelas tentativas de maximizar seu desejo, seja ele qual for sua natureza, e ampliar as dimensões do seu objeto. Tal característica é intrínseca e constitui no rol de alicerces psicológicos de homens e mulheres, aflorados ou minimizadas dentro da estrutura social os quais são inseridos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Uma das características mais sedutoras das estruturas psicológicas do capitalismo é o seu inigualável poder de projetar a sensação de erotização e liberdade sem limites do individuo. O “livre mercado” é a externalização e escancaramento do objeto pelo qual um grupelho de capitalistas se aglutina visceralmente nos ciclos dinâmicos da economia em benefício da maximização dos seus próprios lucros. O objeto aqui pode ser visto como sendo a capacidade praticamente ilimitada de se obter a multiplicidade ou a reprodutividade exponencial do seu patrimônio. Aliás, o mais importante deste sistema de reprodução insólito é o replicar dos lucros se movendo assimetricamente com a diminuição dos custos de operação ou transição. Nada é feito altruistamente para o coletivo, exceto o que for possível prolongar a exponenciabilidade do seu capital. Aqui a democracia liberal se torna um mito quase anedótico, uma vez que é não é o regime político que poderá frear a volúpia capitalista, e ao contrário do que geralmente se prega em tempos de liberdade burguesa, foram nas grandes ditaduras da história que muitos grupos econômicos alcançaram lucros exorbitantes apoiando regimes fascistas e colaborando para ceifar vidas e segregar nações. Mais uma vez, o objeto aqui são as condições materiais de reprodução do capital privado e não um &lt;i style=""&gt;locus vivendi &lt;/i&gt;em prol de uma estrutura que possa beneficiar a todos dentro de uma sociedade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;O esgarçamento dos elementos narcíseos é fundamental para a consolidação das estruturas do moinho que reinventa as condições de reprodutibilidade do capital. Neste sentido, a resignação é essencial para que em nenhum momento haja uma resistência, desconforto ou indignação por parte dos que estão do lado de fora destas estruturas e nada possa atrapalhar o “bem-estar” material de alguns contra a pauperização consentida dos demais indivíduos. A socialização material somente é consentida a contragosto nestes casos apenas como uma “válvula de escape” objetivando que as massas e seus descontentes não representem alternativas plausíveis que rompam drasticamente com o paradigma socioeconômico que está prevalecendo no momento. Aceitação plena e sacerdotal entre os atos de ser um assalariado ou “semidivinamente” vir a ser postulado como “patrão” são elementos vitais para reconstruir a cada momento de crise ou dificuldade dos ciclos econômicos a hegemonia do capital sobre qualquer levante dos resistentes. O que está em jogo de fato é a manutenção a todo vapor das regras estratificadas do &lt;i style=""&gt;status quo&lt;/i&gt; vigente e a luta de classes pode assumir diversos outros parâmetros, mas nunca deixada de lado ou desprezada sua validade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-3775795559258179551?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/3775795559258179551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=3775795559258179551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/3775795559258179551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/3775795559258179551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2008/08/resistncia-ou-resignao-1a-parte.html' title='Resistência ou Resignação?  [ 1a. Parte ]'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SLaUBumb96I/AAAAAAAAAiQ/NUvhPCaqlVw/s72-c/colher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-7645504588984557036</id><published>2008-07-24T09:43:00.003-03:00</published><updated>2008-07-24T09:59:55.841-03:00</updated><title type='text'>Os Limites da Perversão Humana: Pornografia, Internet e Impunidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_8usOdprQu5s/SIh7zMMtB6I/AAAAAAAAAfY/5uHSUn1eVRE/s1600-h/vergonha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_8usOdprQu5s/SIh7zMMtB6I/AAAAAAAAAfY/5uHSUn1eVRE/s320/vergonha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226563486941513634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Quarta-feira à noite, recebo um telefonema de um amigo e pergunta se estou conectado à rede. Digo que sim. Ele envia um link que nitidamente indicava ser de um site de pornografia e com a mensagem: Apenas abra! A página é lentamente carregada e surgem as fotos. Ao olhar o rosto claramente dopado da garota em poses extravagantemente pornográfica, vejo imediatamente que a suposta “atriz” do “ensaio fotográfico” era uma colega nossa da época do Instituto de Física (IF-USP). Pergunto ao meu velho amigo do IF-USP de onde ele achou “aquilo” e a resposta dele foi lacônica: “Na rede, oras!”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Qual origem destas fotos? A questão se remete há alguns anos atrás, onde esta colega foi fotografada em poses pornográficas e boa parte da faculdade “à boca pequena” ficou sabendo. As imagens da garota circulam velozmente anexas nas mensagens de correio eletrônico. Pelo que fiquei sabendo à época, após a divulgação das suas imagens, ela simplesmente desapareceu do curso. Desnecessário dizer que os motivos são claramente óbvios. Causa estranheza&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que as mesmas fotos de tempos atrás, agora reaparecem em tamanho maior e com seus nuances hospedadas num site de pornografia. Dessa maneira, o que circulavam informalmente nos e-mails de anos atrás, se tornou hoje mais uma atração turística do site. A pergunta é muito clara: como estas “coisas” podem acontecer?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Assim como quase sempre 2 e 2 são 4, é de notório saber que a rede mundial de computadores é um fluxo contínuo de informações das mais variadas fontes. Não existe uma clara definição entre o que é conhecimento, informação ou simplesmente futilidade e crime. No caso destas fotos citadas, por detrás da suposta “atriz pornô”, havia uma garota muito simpática e tímida. Na época, tive a oportunidade de cursar uma disciplina na mesma sala dela. Não tínhamos praticamente nenhum contato direto, mas acredito que não era uma garota aderente às badalações e festinhas do cabide. Muitas vezes, namorados, “ficantes” de um ou meia-dúzia de dias, parceiros estáveis ou mesmo maridos, conduzem sua parceira às cenas de nudez ou sexo explícito documentadas via imagens ou filmes. Não raro o acompanhamento de bebidas alcoólicas e também drogas. Neste ritual de orgia íntima e suposta sensualidade, o parceiro aproveita oportunidade para destilar seu &lt;b style=""&gt;voyeurismo midiático&lt;/b&gt;. Os resultados são cada vez mais crescentes os casos de mulheres comuns em posições eróticas ou simplesmente pornográficas expostas gratuitamente na internet. Para as vítimas desta modalidade de crime, os prejuízos psicológicos, morais e materiais são incalculáveis.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;A intimidade do “cidadão comum” desvelada pela rede mundial de computadores registra um perfil de agressão moral onde quase sempre passa despercebido das autoridades policiais. Os casos que realmente chamam mais a atenção são os derivados da pedofilia, combatidos com mais veemência e ocasionalmente derivam prisões dos seus criminosos. É importante buscar compreender o perfil deste tipo de criminoso da alcova e suas práticas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Muitas vezes, um simples “choppinho” pode render muitas dores de cabeça além da obviedade. Um barzinho, sorrisos, a troca de olhares típicos dos galanteadores de rodeio conduzem suas vítimas cerceadas a um jogo de sedução onde invariavelmente terminam no leito de alguma cama. Se misturar alguns copos de bebida alcoólica (e muitas vezes, alguma droga “leve” como o cigarro da “social” maconha), já é possível criar um clima de despojamento e intimidade entre a vítima e o criminoso. Neste momento de suposta sedução, o criminoso pede para a vítima se “soltar mais” e começa o festival de cliques ou mesmo filmagens longe das lentes hollywoodianas. O exibicionismo é uma navalha de fino corte. Celulares sofisticados com câmeras cada vez menores e recursos mais potentes são ótimos instrumentais deste tipo de crime. Quando a vítima se recupera da ressaca, perceberá que a dor-de-cabeça só estará começando ao descobrir que naquela noite o homem que a levou para a cama despejou toda a sua privacidade na internet. Casos também ocorrem com os parceiros muito bem conhecidos da vítima e podem também resultar em coação ou chantagem por parte do criminoso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Não existem limites para a perversão. O que acredito ser o &lt;i style=""&gt;modus operandi&lt;/i&gt; psicológico mais comum deste tipo de delito descrito até aqui é a perversão sádica atrelado a um profundo menosprezo da condição da vida humana. Neste caso, entendo que é possível encontrar as raízes das ações regatando alguns elementos da &lt;b style=""&gt;Psicanálise&lt;/b&gt; no que tange ao estudo das &lt;b style=""&gt;perversões&lt;/b&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;A palavra &lt;b style=""&gt;perversão&lt;/b&gt; deriva do verbo latino &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;pervertere&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;e significa &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;tornar-se perverso&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;corromper&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;desmoralizar&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;depravar&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;. Seu emprego não é privilégio da Psicanálise, sendo também empregado no campo da Psiquiatria e Sexologia, ora de maneira pejorativa ora valorizando-as, para designar as práticas sexuais consideradas como desvios em relação à norma social. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Times-Roman;font-size:11;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Segundo a análise de Sigmund Freud, existem dois tipos de perversões: as &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;perversões do objeto &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;e as &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;perversões do alvo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;. &lt;b style=""&gt;As perversões do objeto&lt;/b&gt; foram por ele definidas como uma fixação num único objeto em detrimento dos demais. Logo, incluiu nestas as relações sexuais com um parceiro humano (auto-erotismo, incesto, homossexualidade e pedofilia) e as relações sexuais com um objeto não humano (zoofilia, fetichismo, travestismo). Nas &lt;b style=""&gt;perversões do alvo&lt;/b&gt;, distinguiu três espécies de práticas: o prazer visual (&lt;b style=""&gt;exibicionismo&lt;/b&gt;), o prazer de sofrer ou fazer sofrer (&lt;b style=""&gt;sadismo e masoquismo&lt;/b&gt;) e o prazer pela superestimação exclusiva de uma zona erógena: ou da boca ou do aparelho genital.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Uma sociedade, por mais hipócrita que seja na sua essência, é definida em sua aparência por um conjunto de normas, regras e condutas sociais. Uma sociedade castradora condiciona privadamente que seus elementos constituintes libertem suas pulsões sexuais de alguma maneira e sob algum aspecto. O voyeurismo contido nos milhares de páginas de sites de “relacionamentos” ou “comunidades” ao estilo do popular &lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Orkut&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; na internet é uma pequena amostra da associação entre imagens e ego. A exibição sumária do corpo, pedaços de intimidade ou insinuações fetichistas e sua exposição ao público denotam uma mercantilização da condição humana. Neste campo minado que é a construção do desejo e libido, são elementos que permitem &lt;i style=""&gt;externalizar&lt;/i&gt; ou &lt;i style=""&gt;internalizar&lt;/i&gt; as pulsões sexuais. O ato de exibir as imagens da vítima é uma forma do criminoso recuperar e externalizar sua &lt;b style=""&gt;função do falo&lt;/b&gt;, e sob este aspecto, projetar seu “poder erógeno” por todas as conexões de rede do planeta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;A &lt;b style=""&gt;hipersexualidade digitalizada&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;constitui um parâmetro a ser estudado nas interações provenientes das pulsões sexuais. Por mais que seja difícil a detecção da autoria dos crimes sexuais que movimentam as conexões de rede, é importante ressaltar que o aparelho jurídico também precisa melhor se preparar para coibir e punir práticas criminosas que afrontam moralmente a dignidade da vida humana. Os proprietários de sites de hospedagens onde são armazenadas as imagens das vítimas também precisam ser responsabilizados como co-autores destes crimes quando não fiscalizam, tardam ou impedem a retirada do material criminoso de seus computadores. A hiperexposição sexual da vítima nos meios eletrônicos deve se entendida como um crime tão pernicioso quanto os praticados no campo da pedofilia e demais crimes da rede mundial de computadores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Os&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; crimes silenciosos&lt;/span&gt; praticados na alcova de lares, motéis e lugares ermos são os mais difíceis de serem desvelados. Muitas vezes, mesmo sabendo da autoria do crime, a vítima por medo, receio ou vergonha não presta queixa contra o agressor. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Os crimes de agressão física não diferem dos crimes de exposição digital das intimidades de sua vítima. Neste caso, a perversão compactua com a impunidade resultando assim um terreno tranqüilo e fértil para a condução silenciosa deste tipo barbárie criminosa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto quase todas as discussões sobre crimes digitais estão na esfera da retórica, as fotos íntimas da colega do IF-USP continuam livremente correndo soltas através das várias conexões da rede mundial. E quem sabe, no caso específico desta garota, possa servir de alerta para algumas mulheres pesquisarem muito bem quem é postulante à galã da alcova de seus devaneios amorosos antes de tirarem a primeira peça íntima do corpo. Claro que a vítima não tem culpa de ser vítima, infelizmente a cautela ainda é um presságio para uma vida sem correr os riscos de um inadvertido voyeurismo digitalizado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;br /&gt;(É importante ressaltar que se &lt;b style=""&gt;conselho&lt;/b&gt; rendesse realmente algum dividendo, o autor deste &lt;b style=""&gt;blog&lt;/b&gt; já teria sido, há muito tempo atrás, sócio majoritário da &lt;b style=""&gt;Microsoft&lt;/b&gt;!)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-7645504588984557036?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/7645504588984557036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=7645504588984557036' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/7645504588984557036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/7645504588984557036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2008/07/os-limites-da-perverso-humana.html' title='Os Limites da Perversão Humana: Pornografia, Internet e Impunidade'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_8usOdprQu5s/SIh7zMMtB6I/AAAAAAAAAfY/5uHSUn1eVRE/s72-c/vergonha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-8998122922415210593</id><published>2008-06-24T09:18:00.006-03:00</published><updated>2008-06-24T09:33:41.262-03:00</updated><title type='text'>O drama dos refugiados: a globalização da barbárie</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SGDnWvSNBwI/AAAAAAAAAbw/j_67hrCnifk/s1600-h/refugiados2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SGDnWvSNBwI/AAAAAAAAAbw/j_67hrCnifk/s320/refugiados2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215422746330990338" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Uma face das mais trágicas e que passa praticamente despercebida pelos teóricos entusiastas da globalização "indolor" é o drama dos refugiados que perambulam pelo planeta. Sem lar, pátria ou agregado material, milhões de pessoas são expulsas de sua terra natal e são obrigadas a imigrarem para outros locais, países ou continentes. Seja por conflitos bélicos, contingências políticas ou catástrofes naturais, o número de refugiados não pára de crescer. Segundo relatório das Nações Unidas divulgado na semana passada pelo &lt;b&gt;&lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;Acnur&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (Alto Comissariado das Nações Unidas Para Refugiados), "em 2007, o número de refugiados totalizou 37,4 milhões, dos quais 11,4 milhões estariam fora de seus países e 26 milhões seriam refugiados internos, [...] com estatísticas de mais de 150 países" (BBC BRASIL, 2008).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Esse enorme contingente populacional de transeuntes apátridas deixa explícita a gravidade da situação. Também é possível tecer considerações sobre o fim das &lt;b&gt;guerras clausewitzianas&lt;/b&gt;, ou seja, os conflitos bélicos clássicos entre povos ou países (conceito de Estado-Nação) com exércitos e munição estatais. As guerras travadas no século XXI serão assimétricas, disformes e desprovidos de uma arquitetura ideológica definida. Surgem então as milícias mercenárias e fortemente armadas se transformando em exércitos privados com imunidade diplomática oriundas de empresas "globalizadas" de segurança trabalhando “legitimamente” em nome de governos de Estados-Nações ou corporações empresariais estatais ou privadas (caso explícito das empresas privadas de segurança operando na ocupação estadunidense no Iraque). Não há fronteiras para o capital e tampouco no emprego máximo da força bruta com chancela governamental.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Zygmunt Bauman classifica este movimento de refugiados como a face do "refugo humano" ou “seres humanos refugados”, ou seja, seres descartados dos processos produtivos e do progresso técnico material. Os refugiados são marginalizados, segregados e chegam a serem perseguidos e até mesmos assassinados como corre em alguns países onde buscam asilo (destaque na Alemanha e África do Sul). A questão dos “estrangeiros” é um dos grandes problemas a ser encarada pela União Européia cujo alguns países-membros já estão adotando políticas de anti-imigração com o retorno de controvertidas leis cada vez mais severas, agressivas e xenófobas. Com o declínio da economia ou queda do poder aquisitivo das populações nativas de algumas regiões européias e, por conseqüência, a ampliação do desemprego local (com raízes globalizadas) os ânimos se acendem e se brutalizam contra refugiados e imigrantes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;É importante destacar que em muitos casos, a figura do refugiado e do “imigrante ilegal” já não existe definições que possam margear alguma diferenciação. Os dramas vividos na fuga para um ambiente menos hostil e com alguma possibilidade de sobrevivência são os elementos constituintes destes dois grupos cada vez mais simétricos e desprotegidos. A ascendente onda do retorno do fantasma da xenofobia, o flerte com o autoritarismo e a atuação de grupos de extremistas na Europa já pode ser considerada outro grave e inquietante problema a ser combatido num continente assolado brutalmente por duas guerras totais no século passado e governos despóticos. Para o psicólogo Oliver Decker, "sempre que a obturação do bem-estar se esfacela, tradições antidemocráticas voltam a se manifestar no vazio resultante" (&lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;Deutsche Welle&lt;/span&gt;, 2008).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Não existem soluções a curto ou médio prazo para a amortização do drama destas populações peregrinas. Pragmaticamente, a questão política é o caminho para entendimento do encontro de possíveis saídas, porém são as profundas disparidades regionais e globais que polvilham guerras e conflitos socioeconômicos de toda ordem possível. Não existirão tampouco soluções pontuais ou de caráter provisório que farão minimizar a gravidade da situação. Somente uma nova ordem política e meritória de consideração e confiabilidade para buscar mediar conflitos na esfera das Nações Unidas e a efetiva criação de uniões regionais de países, como é o caso da União Européia. É fundamental deslocamento das grandes questões econômicas e comerciais do planeta da Organização Mundial do Comércio (OMC) para o âmbito político das Nações Unidas. Não é possível que o planeta continue a conviver com guetos de miséria e mitigação econômica onde arvoram guerras e disputas fratricidas. Neste cenário sombrio, multiplicam-se velozmente os números de vítimas silenciosas e indefesas cujo destino é a degradação e ostracismo globalizado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;“LIVRE CANTAR”&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;O governo brasileiro possui o programa para abrigo de refugiados o CONARE (Comitê Nacional para os Refugiados) em parceira com o &lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;Acnur&lt;/span&gt;. Segundo o ACNUR, o&lt;span class="style401"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt; Brasil abriga aproximadamente 3800 refugiados de cerca de 70 nacionalidades diferentes. Para destacar o trabalho destas organizações foi lançando sem fins comerciais o CD "&lt;b style=""&gt;Livre Cantar&lt;/b&gt;", uma coletânea de músicas compostas e executadas por refugiados que vivem no Brasil. Todas as músicas podem ser “baixadas” gratuitamente no formato MP3 no endereço &lt;a href="http://www.grupomirrage.com.br/blog.html"&gt;http://www.grupomirrage.com.br/blog.html&lt;/a&gt;. Destaco em particular o belo coral africano da faixa 5, “Lumilongi” e a faixa 10, “Clamor pela África”, uma bonita melodia e aparenta uma leve influência gospel em sua letra. Obviamente, que tais canções não irão estar sintonizadas nas rádios mercadológicas por não se enquadrarem no quesito “interesses comerciais”. Como diria o cantor Lobão, para tais rádios movidas ao interesse da indústria histriônica da alienação cultural, somente o “jabá” é aceito. Boa audição!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;span class="style401"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Referências:&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;BBC BRASIL. &lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Refugiados e deslocados internos foram 37,4 milhões em 2007, diz ONU&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=""&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Folha Online, 17/06/2008. Disponível em &lt;/span&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u413105.shtml. Acesso em 23 de junho de 2008.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 5pt 0pt; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; text-transform: uppercase;font-size:100%;" &gt;BAUMAN, &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Zygmunt. &lt;b style=""&gt;Vidas Despedaçadas&lt;/b&gt;. São Paulo: Jorge Zahar Editor, 2005.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="margin: 5pt 0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; text-transform: uppercase;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 5pt 0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 5pt 0pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; text-transform: uppercase;font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Deutsche Welle&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style="font-family: georgia;"&gt;Xenofobia é mais difundida na Alemanha do que se pensa&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;. Deustsche Welle, 22/06/2008. Disponível em http://www.dw-world.de/dw/article/0,,3430238,00.html. Acesso em 23 de junho de 2008.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-8998122922415210593?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/8998122922415210593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=8998122922415210593' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/8998122922415210593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/8998122922415210593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2008/06/o-drama-dos-refugiados-globalizao-da.html' title='O drama dos refugiados: a globalização da barbárie'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SGDnWvSNBwI/AAAAAAAAAbw/j_67hrCnifk/s72-c/refugiados2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-8908688980853527094</id><published>2008-05-30T08:39:00.003-03:00</published><updated>2008-05-30T08:45:08.470-03:00</updated><title type='text'>De volta à barbárie: a luta pela existência no século XXI</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SD_oXEUAYSI/AAAAAAAAAZ0/JP5EqELousE/s1600-h/060508_f_014.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SD_oXEUAYSI/AAAAAAAAAZ0/JP5EqELousE/s320/060508_f_014.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206135177255870754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Se um viajante perdido proveniente do século passado folheasse os principais jornais dos últimos meses certamente entraria em parafuso! O admirável mundo novo do neoliberalismo se defronta com problemas até então fadados às especulações surrealistas ou boletins de jornalecos comunistas: crise alimentar, energética e escassez de água potável. É o fim dos tempos? A priori não, mas é um indício dos dramas atávicos que a humanidade se defrontará no século XXI.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Esqueça as bobagens terroristas alardeadas pelos fascistas de Washington. A crise é muito mais séria que os demagogos falcões de George Bush semeiam pelo mundo. Os islâmicos não comerão criancinhas no jantar. Não são os árabes os “inimigos do ocidente civilizado”. É a barbárie o maior vilão do mundo que se julga civilizado. A guerra entre a miséria e os que ainda podem comer suscitará uma disputa fratricida pela sobrevivência. Países como Brasil, Índia e China que despontaram no cenário internacional contribuem para impulsionar uma série de demandas alimentares e energéticas. As rotineiras crises nas economias do chamado Primeiras Mundo fragilizam cada vez mais a hipotética ordem mundial via “mercados livres”, ou seja, um dos principais alicerces dos mitos pueris embarcados na globalização neoliberal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;A presente crise mundial é de superprodução e não o contrário. A demanda energética aliada à especulação oportunista está fazendo o barril de petróleo avançar a um patamar jamais imaginado em sua história para além dos 130 dólares. A corrida por substitutos plausíveis para a demanda energética se canaliza particularmente no totem messiânico do etanol. Neste caso, o Brasil entra no pário de uma forma muito desarticulada e marqueteira. Se por um lado, a Petrobrás anuncia descobertas de seguidas fronteiras de possibilidades reais de prospecção de petróleo, por outro o país parece flertar com idéia de ser um celeiro mundial do etanol. A questão não é banal e tampouco trivial: produzir energia ou comida? A opção não poderá ser feita apenas para suprir a demanda energética mundial, mas a realidade mais íntima da base histórica de produção brasileira que é a agricultura para alimentação e não &lt;i style=""&gt;commodity &lt;/i&gt;energética. A União Européia está voltada a proibir o etanol proveniente de cereais em troca da ampliação da produção de alimentos em suas fronteiras. Não é apenas uma questão de investimentos e ganância especulativa, mas de mera sobrevivência alimentar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Por mais inverossímeis as teorias catastróficas de Thomas Malthus do século XIX, a realidade da escassez alimentar bate a porta de muitas regiões do planeta.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Países com grandes fragilidades econômicas, notadamente vastas regiões do continente africano, já estão passando por um novo ciclo de fome e fragilidade alimentar. A especulação acaba elevando o preço dos alimentos e contribuindo para uma alta generalizada de gêneros básicos na gangorra do “livre mercado”. A tendência crescente da demanda faz “naturalmente” os preços se elevarem até atingir um novo patamar de equilíbrio. Todavia, a mera aplicação das premissas de oferta e procura não são suficientes para a estabilidade do equilíbrio e, em momentos de crise mais aguda, a tendência é que os preços continuem a se elevarem sem uma contrapartida em curto prazo que faça recuar ou minimizar sua curva de alta. A especulação desmedida pelo lucro dificilmente está explicitada nos “manuais” dos cursos de Economia embebidos no&lt;i style=""&gt; mainstream dos Chicago boys&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;A política de “agrocombustíveis” deverá ser revista com urgência. O Brasil tem um papel fundamental no tabuleiro global das matrizes energéticas. É preciso ficar claro também qual o papel que o país deseja desempenhar no planeta, ou seja, um celeiro agrícola alimentar ou um imenso canavial para entender os desejos energéticos estadunidenses e europeus? Entendo que a Petrobras deveria se condicionada para preservar o mercado interno de energia e somente vender o excedente caso realmente fosse necessário. Defender o onírico “livre mercado” em épocas de crises somente é válido para os adeptos de cabeças impregnadas pelo entulho ideológico colonizado voltado para os interesses dos velhos mercados imperialistas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Energia e alimentos cada vez mais se constituirão em modos de produção de interesses nacionais. Aliás, as matrizes energéticas sempre se consistiram dentro do rol dos interesses estratégicos dos grandes Estados Nacionais e a região do Golfo Pérsico é o mais explosivo cartão-postal para quem ainda duvida desta teoria. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Aliado as questões a respeito do mercado energético, se encontra a escassez de água potável que em grandes regiões do planeta é outra tétrica realidade. A “guerra pela água” preocupa até mesmo as Nações Unidas que estão paulatinamente se mobilizando para entender melhor as causas e as conseqüências desta batalha trágica pela existência. O Brasil novamente é outro pólo desta matriz enérgica uma vez que debaixo do seu solo se situa o megacampo de água potável, conhecido com Aqüífero Guarani, e que não vem obtendo o devido estudo e tratamento por parte do governo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Quem é o “dono” da Amazônia? Pouco a pouco a imprensa estrangeira, em particular o estadunidense, &lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;New York Times&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, vêm questionando os direitos de propriedade do estado brasileiro e nações vizinhas da área amazônica. Estas especulações não são gratuitas e são respaldadas por interesses de Estados imperialistas. Quando se dizia que os estadunidenses estariam de vigilância pela Amazônia, em geral, no Brasil era visto como “história de comunas” ou desdém similares. Hoje a realidade é bem diferente. Até mesmo, o “bom-moço” ambientalista e ex-vice-presidente dos Estados Unidos, o democrata Al Gore, com sua aura “ongueira” já deixou claro que a Amazônia não pertence aos países que acomodam geograficamente suas fronteiras. O imperialismo não descansa, e também já se questiona a partição do Ártico e também a Antártida (fontes ainda não exploradas de energia no seu subsolo). &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Em nome evasivo dos “interesses do planeta”, vem aí o “eco-terrorismo”: dar o “verde” para quem pode controlar financeiro e militarmente a região, além de auferir maior poder de barganha mundial, ou seja, lotear a Amazônia para os interesses imperialistas.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;O debate será cada vez mais acirrado assim como a guerra travada entre os que podem com mais eficiência ocupar e canabalizar os espaços de demanda energética e alimentar. Não podemos nos iludir apenas com a falácia que os “mercados auto-regulados” darão conta do “auto-ajuste” entre demandas e ofertas. Isto só acontece nos manuais de graduação dos cursos de Economia! O mundo não cabe dentro de um manual e tampouco a barbárie encontra limites na luta fratricida pela sobrevivência. Uma das questões que precisa ser enfrentada é a natureza dos processos de produção e consumo mundial. O esgotamento dos recursos naturais movido à uma desenfreada ganância por lucros fáceis e imediatos fazem colocar todo o desenvolvimento e progresso da humanidade em estado de choque. O modo de produção capitalista de consumo é na realidade o sistema de esgotamento sistemático que levará o planeta a exaustão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Como todos sabem, os recursos são finitos na infinita ganância dos sistemas de produção de lucros sem fronteiras. Infelizmente, a guerra da barbárie entre a estupidez e a sobrevivência somente está começando. A mesma velha história nunca compreendida pelos homens: entre morrer e matar, ambos são realizados sem vencedores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-8908688980853527094?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/8908688980853527094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=8908688980853527094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/8908688980853527094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/8908688980853527094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2008/05/de-volta-barbrie-luta-pela-existncia-no.html' title='De volta à barbárie: a luta pela existência no século XXI'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SD_oXEUAYSI/AAAAAAAAAZ0/JP5EqELousE/s72-c/060508_f_014.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-3431688220522671665</id><published>2008-03-25T04:07:00.007-03:00</published><updated>2008-03-25T04:20:39.764-03:00</updated><title type='text'>A Angústia na Hipermodernidade: Felicidade, Autofagia e Barbárie na Sociedade de Hiperconsumo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R-inXJdjhOI/AAAAAAAAAWs/HkmEOCBiN4o/s1600-h/ilusao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R-inXJdjhOI/AAAAAAAAAWs/HkmEOCBiN4o/s320/ilusao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181575387408467170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; line-height: 150%;font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);"&gt;A felicidade é uma ilusão?&lt;/span&gt; Quase invariavelmente a passagem de Ano Novo, ano após ano, é sempre um espetáculo de mesmices. Um misto de falsas promessas, ilusões alimentadas e mais um bom número de pedidos irrealizáveis. Não é crime nos tornarmos cada vez mais indiferentes ao resto de tudo que não seja aderente ao nosso próprio umbigo. Crime é fazer do egocentrismo a arma fatal contra o outro. Gilles Lipovetsky em, “A felicidade paradoxal” (2007), argumenta que nunca na história do mundo ocidentalizado tivemos tantas oportunidades e acessos a tal felicidade como agora. No entanto, paradoxalmente ainda continuamos infelizes. É pertinente tecermos algumas considerações a esse respeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;A idéia de hipermodernidade está associada a dois pilares básicos interdependentes, segundo Lipovetsky, o mercado liberal e a democracia burguesa. A hipermodernidade transpõe o intrincado mundo da pós-modernidade fomentando angustias adicionais para o ser humano. Por que não ser feliz na esfera da exuberância material? A resposta poderá estar diretamente ligada à construção do fantástico mundo do consumo de massa e suas frivolidades inerentes. A “civilização do desejo” arquitetada pelas sociedades liberais na segunda metade do século XX, esclarece Lipovetsky, marca o nascedouro de uma nova modernidade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Aparentemente pouca coisa mudou, “continuamos a nos mover na sociedade do supermercado e da publicidade, do automóvel e da televisão”, escreve Lipovetsky ressaltando o diferencial que transformou as normas sociais, a “revolução no consumo”, o “hiperconsumo” e sua unidade hiperindividualista básica, o “hiperconsumidor”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;Do iogurte, passando pelos mais íntimos sentimentos até à política, o mundo foi transformado através da esfera do consumo e do marketing. Consumimos de maneira histriônica toda forma de suvenir que se pode (e o que não se poderia!) colocar entre prateleiras e sobre o balcão: amor, orgasmo, medicamentos, cultura, ecologia, religião, ideologias e ódios. Como sintetiza Lipovestky, uma nova fase do capitalismo, “a sociedade de hiperconsumo coincide com um estado da economia marcado pela centralidade do consumidor” (Lipovetsky, 2007, p. 13). O consumo logo passa da necessidade fundamental de garantiria básica da existência humana para a ansiedade agonística e desesperada do hiperconsumidor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;Uma outra característica pertinente que alicerça nossa sociedade hipermoderna é a amplo apelo ao “descartável” ou “redundante”, e que pode ser conhecido como “refugo”. Zygmunt Bauman (2005) analisa estas construções sociais “líquidas” da pós-modernidade liberal e ocidentalizada. De sentimentos, telefones móveis a indivíduos, o refugo é algo que incomoda os indivíduos e que a sociedade desejar descartar de imediato. A autofagia pelo automatismo é reinante. O “hoje” já passou e queremos logo o “amanhã”. Como na velocidade dos cliques da internet de banda larga, a vida pós-moderna é na hipermodernidade um acontecimento imediatista. Quantas pessoas já não ficaram tensas por meros segundos até abrir uma correspondência por correio eletrônico? Meros segundos que para elas soam como um jazigo eterno! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;No hiperconsumo daqueles que anseiam por afetividade, o amor e o gozo são igualmente fúteis e paradoxalmente com inúmeras possibilidades de conhecer “outras pessoas” na intricada cadeia de relacionamentos precários, autofágicos, evasivos e redundante frivolidade. Nunca na história das sociedades ocorreram tantas possibilidades das pessoas se conhecerem e, no entanto, a angústia, depressão e a quantidade de relacionamentos liquefeitos, diluídos e descartados são crescentes. Entendemos aqui a angústia no sentido clássico psicanalítico como forma de uma auto-proteção diante do desconhecido, inevitável ou inesperado na busca de uma sobrevida física e mentalmente (Emanuel, 2005). Erich Fromm descreve que “a experiência da separação desperta a ansiedade; é, de fato, a fonte de toda ansiedade” (Fromm, 1966, p. 26). Do sexo de ontem já saciado perdeu a graça em poucas horas é será trocado pela busca de outros genitais no dia seguinte. A angústia cresce de maneira desmesurada na ânsia de obter o idílico “par perfeito”. O descarte da parceria é logo feito quando já foi preenchido o gozo imediato. Os rótulos e os mitos da “parceria ideal” são deflagrados desde os bares de hordas pansexuais de lobos e lobas famintos na “caçada” aos sítios pagos de relacionamentos em meios eletrônicos. Desta maneira “[...] numa sociedade de caçadores, a expectativa do fim da caçada não é tentadora, mas apavorante – já que esse fim só pode chegar na forma da derrota e a exclusão pessoais” (Bauman, 2007, p. 112). A ansiedade é desencadeada pelo hiperconsumo de prazeres egocêntricos na multidão de gozos possíveis. Quando “os corpos são livres, a miséria sexual é persistente” (Lipovetsky, 2007, p. 17), o desejo nunca é saciado e o resultado dramático é a angústia. Consequentemente ocorre à depressão pelo vazio incomensurável e pela oferta frívola de relacionamentos fúteis e, em seguida, logo à tona a decepção. Quando o amor se reduz à um mero consumo de iogurtes &lt;i style=""&gt;light&lt;/i&gt; ou &lt;i style=""&gt;diet&lt;/i&gt;, o resultado é o eterno retorno ao vazio existencial jamais saciado e que ronda os medos mais profundos do seres humanos em sociedade. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;É um eterno recriar de uma ingênua ilusão autofágica da felicidade pela quantidade hiperconsumidora de parceiros. Na análise pertinente de Fromm, “numa cultura que prevalece a orientação mercantil, e em que o sucesso material é o valor predominante, pouca razão há para a surpresa no fato de seguirem as relações do amor humano os mesmos padrões de troca que governam os mercados de utilidades e trabalho” (Fromm, 1966, p. 21).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;A sociedade de hiperconsumo desagrega as culturas de classe e promove a homogeneização do que Lipovetsky chama de “modelo consumista-emocional-individualista” para todos os segmentos etários. O hiperconsumo abarrotou as possibilidades das sociedades parirem e cuidarem de suas próprias crianças sem que elas não se transformem em futuros adultos hiperconsumidores dependentes químicos ou com profundas carências psicanalíticas. Na medida em que o consumo segmenta cada vez mais faixas etárias, excetuando as crianças na primeira infância, não existe mais exclusão dentro do fantástico universo do hiperconsumo. Fomentado a quintessência do consumo, as escolas de orientação mercantil promovem com algum estofamento cultural os futuros alunos hiperconsumidores. Por sua vez, os pais hiperconsumidores não querem mais ser responsáveis em solitude pela criação dos filhos e delegam à própria prole a divisão da educação. Em nome de uma equivocada retórica de “responsabilidade não-autoritária”, os pais “legais, bonzinhos e bacanas” estimulam seus filhos ao consumo e fazem deles os próprios hiperconsumidores. Movidas por um espetáculo da publicidade infanto-juvenil, crianças como “pequenos imperadores” ditam as regras para os pais do que comprar e decidem pelas suas mercadorias fazendo suas próprias escolhas. Logo, saciado o desejo imediato do “imperador-mirim”, os pais “compram a paz” e se deliciam momentaneamente na felicidade promovida pela indústria da diversão infanto-juvenil. Desta maneira, os pais procuram o auto-perdão por longas ausências ou negligencias sentimentais perante a prole, ao mesmo tempo em que acreditam cederem “pedagogicamente” um direito ao filho à felicidade, aos prazeres e ao individualismo narcisista. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;Existe felicidade no trabalho? O “refugo humano” é um conceito mais profundo. O uso e o descarte de pessoas atiradas ao lixo. Os mundos do trabalho pós-fordista se constituíram numa miríade de ilações a respeito das estruturas trabalhistas. A informalidade em nome da “eficiência” neoliberal produziu variantes do emprego que podemos classificar em: o &lt;i style=""&gt;super-emprego&lt;/i&gt;, o &lt;i style=""&gt;subemprego&lt;/i&gt;, &lt;i style=""&gt;desempregado&lt;/i&gt; e a &lt;i style=""&gt;escória&lt;/i&gt;. O &lt;i style=""&gt;super-emprego&lt;/i&gt; é aquele onde o quadro de pessoal é “enxuto” em nome do pomposo da “reengenharia” (ou algum outro rótulo de falácias administrativas) e o trabalhador que sobrou ao expurgo é segregado a uma série de tarefas alucinadas e sobrecarregadas bem ao estilo “&lt;i style=""&gt;tudo-ao-mesmo-tempo-agora&lt;/i&gt;”. O &lt;i style=""&gt;subemprego&lt;/i&gt; se situa na marginalidade (geralmente é refém da “flexibilização do emprego”), pode ser o empregado que não tem segurado suas garantias trabalhistas da economia formal ou trabalhador de rua (ou seja, o popular “camelô”). O &lt;i style=""&gt;desempregado&lt;/i&gt; é aquele trabalhador pendular atemporal onde, em poucas semanas, ora alguma exercendo alguma ocupação com mínima renda, ora esta na busca interminável por emprego. A &lt;i style=""&gt;escória&lt;/i&gt;, essa massa amorfa e sem vida perante o mercado, é o descarte de pessoas que definitivamente não entrarão mais no mercado de trabalho, seja formal ou não. Para a maioria dos trabalhadores assalariados, a felicidade pelo emprego se tornou a mero alívio de alguma renda no final do mês. A felicidade faz a transubstanciação por um mero pedaço de pão diário e existem aqueles que “agradecem aos Céus” por isto! A maioria dos que se alimenta até enfartarem tem ojeriza os que nada tem para comer. A pobreza incomoda a paisagem e “suja” as cidades. Logo existe um alívio de felicidade quando moradores de rua, integrantes da escória, são banidos como cães das áreas nobres das grandes cidades. A felicidade burguesa é egocêntrica, esteriliza as ruas nobres eliminando a qualquer custo o refugo humano e pode desfilar com credenciais pitorescas de mercadorias de desmedido luxo alienado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;O hiperconsumo é um espetáculo do conforto. Aos que possuem poder aquisitivo pode consumir segurança e luxo descartáveis em ruas que são verdadeiros “&lt;i style=""&gt;bunkers&lt;/i&gt; de paz” em meio à dispersão da violência. O templo da felicidade do hiperconsumo de massa, o “&lt;i style=""&gt;shopping center&lt;/i&gt;” é o retrato da negação da cidade e dá a sensação de segurança e felicidade das compras com tranqüilidade. O consumo não é apenas uma amálgama entre necessidade e disponibilidade, mas comprar evasivamente se tornou um ato de prazer com características sexuais (em referência ao gozo freudiano).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A felicidade diante de uma compra abstrata e utilidade pífia realçam as características de ansiedade do hiperconsumidor. O desejo de comprar cada vez mais torna o consumo como um ato de felicidade propriamente dita. O marketing de massa sabe exatamente destas características dos consumidores e exploram a exaustão o viés da angústia e o desejo pelo fetiche da mercadoria através da pasteurização e homogeneização das necessidades humanas: “Você precisa experimentar o produto “A”, porque “A” vai fazer sua vida mais feliz!”. Dessa maneira, a “felicidade instantânea” se configura em um autômato saciar da necessidade passageira e, por sua vez, a publicidade capta tão eloquentemente suas matrizes do adornamento da mercadoria como objeto simbólico constituinte de uma miríade de desejos consumistas. Assim que o desejo da aquisição for concretizado via cartão de crédito ou débito automático, uma nova carência surgirá e renovará todo o processo de angustia pela saciedade do consumo. O livre mercado não prioriza o que produzir ou vender, mas somente o que vai dar lucro e ponto final. Existem inúmeras retóricas politicamente correta a respeito da “responsabilidade social” das empresas, mas ninguém questiona, por exemplo, para situar alguns segmentos, qual a “responsabilidade social” dos fabricantes de armas, cigarros, bebidas alcoólicas, agrotóxicos e pesticidas, publicidade e empresas de agiotagem profissional de “micro-crédito”? Ainda existem os que defendem o uso maciço do hiperconsumo para garantir os famigerados “postos de trabalho”, mas nunca especificam as suas margens de lucros das empresas que ganham com os louros da &lt;i style=""&gt;mais-valia&lt;/i&gt;. A felicidade pelos lucros independe da desgraça alheia, afinal, para os arautos do neoliberalismo, a verdadeira “responsabilidade social” é do Estado, o resto é a vantajosa dedução dos “custos sociais” no imposto de renda de “pessoa jurídica”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;O hiperconsumo não poupa nem mesmo a religião que se transformou num nos espetáculos de dispersão cultural e socioeconômico mais evidente na era da globalização. Não é apenas a avidez pelo bem-estar material buscada ansiosamente pelo hiperconsumidor, “mas ele aparece como um solicitante exponencial do conforto psíquico, de harmonia interior, cujas técnicas do desenvolvimento pessoal são disso fundamentais testemunhas do desenvolvimento de um mercado da alma” (Ewald e Soares, 2007, p. 25). Na atual safra de seres humanos, o niilismo da fé é o paradoxo da busca frenética por Deus. Agora, não mais para a redenção contra os maus agouros do destino, mas somente o alívio das satisfações das emoções imediatas. Os templos da fé proliferam em todos os segmentos da sociedade prometendo a tal “cura espiritual” e todos os sortilégios da alma mediante a crença em Deus e o pagamento de dízimos religiosamente. Uma série de outras crenças, com ênfase nas religiões orientais, abarrota um leque de diversas opções para aqueles que carecem ansiosamente de “fé espiritual”, e que sua vez, nunca saciadas definitivamente pelo consumo materialista. Não é a toa que toda a depauperada literatura de “auto-ajuda” se consolidou como uma metástase dentro das livrarias e gerando grande parte dos lucros das editoras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;Não há ilusões perante a felicidade fabricada e preconizada pela sociedade de hiperconsumo. O homem hiperconsumidor possui um atávico niilismo existencial e devoto acirrado das veleidades do marketing de massa. Do morador de algum barraco em algum vilarejo de pau-a-pique aos sedutores palacetes da burguesia paulistana da região dos Jardins, todos são seduzidos pelo hiperconsumo com abissais poderes de compra. A vida na hipermoderna se tornou um fantástico mundo da aquisição de bens materiais, psicológicas, sexuais e sentimentais. É importante ressaltar os questionamentos de Erich Fromm quanto às supostas certezas de “mentalidade sadias” tão alardeadas orgulhosamente pelas sociedades ocidentalizadas: “Podemos estar tão seguros de que não nos estamos iludindo?” (Fromm, 1974, p. 17).Na hipermodernidade, a felicidade se realiza como mera ilusão e não será possível ser duradoura, mas apenas saciada momentaneamente a espera de uma nova e feliz aquisição mercantil mediado pelo hiperconsumo. Neste caminho da segregação entre os que consomem e os que assistem de barrigas vazias os outros consumirem, abrem-se lastros torrenciais para a escala sem precedentes de uma autofágica sociedade rumo à barbárie.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 0, 0);font-size:180%;" &gt;Referências bibliográficas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;1. Bauman, Zygmunt. &lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vidas Desperdiçadas&lt;/span&gt;.&lt;/i&gt; Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;2. Bauman, Zygmunt. &lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tempos Líquidos&lt;/span&gt;.&lt;/i&gt; Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2007.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;3. Fromm, Erich. &lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A arte de amar&lt;/span&gt;.&lt;/i&gt; Belo Horizonte: Itatiaia, 5ª. Ed, 1966.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;Fromm, Erich. &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Psicanálise da Sociedade Contemporânea&lt;/span&gt;. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 7ª. Ed., 1974.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;4. Emanuel, Ricky. &lt;i style="font-weight: bold;"&gt;Angústia&lt;/i&gt;. Rio de Janeiro: Relume Dumará; Ediouro; São Paulo: Segmento-Duetto, 2005.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;5. Ewald, Ariane Patrícia e Soares, Jorge Coelho. Identidade e subjetividade numa era de incerteza&lt;i style=""&gt;.&lt;/i&gt; &lt;i style="font-weight: bold;"&gt;Estudos de Psicologia&lt;/i&gt;, 12(1), 23-30, 2007.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;6. Lipovetsky, Gilles. &lt;/span&gt;&lt;i  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo.&lt;/span&gt; &lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;São Paulo: Companhia das Letras, 2007.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-3431688220522671665?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/3431688220522671665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=3431688220522671665' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/3431688220522671665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/3431688220522671665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2008/03/angstia-na-hipermodernidade-felicidade.html' title='A Angústia na Hipermodernidade: Felicidade, Autofagia e Barbárie na Sociedade de Hiperconsumo'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R-inXJdjhOI/AAAAAAAAAWs/HkmEOCBiN4o/s72-c/ilusao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-5745970451581955429</id><published>2008-03-20T06:55:00.002-03:00</published><updated>2008-03-20T06:59:55.373-03:00</updated><title type='text'>ESTRANGEIRO NO MEU PRÓPRIO PAÍS: cenas de subserviência calhorda ou turismo acadêmico inútil?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R-I1a5djhMI/AAAAAAAAAWc/sy2n0AcAe7E/s1600-h/palha%C3%A7o.bmp"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R-I1a5djhMI/AAAAAAAAAWc/sy2n0AcAe7E/s320/palha%C3%A7o.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179761257647146178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Para que(m) serve(m) os congressos acadêmicos? Em tese, para o fomento do debate democrático, crítico e atualização dos mais diferentes níveis de informações e dados. Todavia, na minha avaliação, não foi a preocupação destas premissas que foi levada em conta no &lt;b&gt;Regional Science Association International (RSAI) World Congress 2008&lt;/b&gt;, realizado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) entre os dias 17 e 19 de março. Um congresso cujo enfoque básico se assentava nos estudos econômicos regionais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Fiz todos os trâmites normais pedido pela organização do evento e paguei a taxa de inscrição. No dia 18/03, cheguei ao local do evento para formalizar minha inscrição e pegar o crachá. Fui logo recebido por um sorridente "Hi!" da atendente com jeito e esboço do mote "faça o seu pedido" de uma conhecida cadeia de hambúrgueres transnacional. Após ter resolvido o problema a respeito do meu pagamento da inscrição (grande preocupação por parte dos organizadores!), recebi meu material. Destaco que o mais curioso foi a "caneta ecológica" feita de material reciclável e a sacola com “tecido ecológico” (a ostentação da hipocrisia do “ecologicamente correto”)! Percebi que todo o material impresso estava em inglês sem direito a nenhuma outra linha em português ou qualquer outro idioma. Perguntei a respeito do excesso de estrangeirismo dos livretos para uma moça do pessoal de apoio do evento e fui informado que tudo foi impresso e organizado na língua inglesa uma vez que o evento é "internacional”(!). Argumentei que para qualquer evento de porte “internacional” e com algum respeito trabalharia com duas línguas, uma nativa e outro idioma (que poderia ser eventualmente o inglês). Nada adiantou. Naquele momento, estava mais preocupado com a apresentação do meu trabalho que iria começar em menos de uma hora e resolvi ignorar o fato por alguns instantes. Péssima opção! Prova de que quando aceitamos passivamente a boçalidade o preço posterior sempre será muito alto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Ao aproximar da sala onde seria minha exposição, fiquei sabendo que somente a língua inglesa poderia ser utilizada. Neste momento, como diz a expressão popular, “caiu a ficha”! De primeira mão, achei que era uma predileção arrogante por parte dos organizadores. Mesmo ainda insistindo em fazer a apresentação em português, fui informado novamente que de fato era imposição o inglês por ser um evento "internacional". Detalhe: não haveria nenhuma forma de tradução. Fiquei perplexo e surpreso com o fato, afinal de contas por mais internacional que seja o evento, estava no meu país da língua de Camões (apesar de nossos milhares de analfabetos)! Argumentei sobre a &lt;b style=""&gt;inverossimilhança&lt;/b&gt; da situação para alguns membros da equipe de apoio e todos diziam que somente o inglês era aceito para as apresentações. Indignado, fui levado até o professor que chefiava a organização do evento (que prefiro não citar o nome) e expliquei ao mesmo a situação. Ele com um ar de Pilatos, disse que "as pessoas que participam do evento pagaram para assistir as apresentações em inglês e que isto não seria alterado" e que ele "não poderia fazer nada" (Pensei: FEA-USP Turismo &amp;amp; Cia.?). Cada estrangeiro desembolsou para pagar a inscrição do congresso um valor de &lt;b&gt;300 euros (!) &lt;/b&gt;conforme informações do próprio site oficial do evento. E com sorriso quase de deboche recomendou "faça o que achar que pode"! Uma das promotoras do evento que estava ao nosso lado recomendou que eu "improvisasse" o inglês. Argumentei que não seria possível, uma vez que meu inglês estava mais próximo do ursinho "To Be" e que seria totalmente diferente preparar uma apresentação em português e imediatamente passar para o inglês em questão de minutos (eu não teria esta pirotecnia momentânea!). O mais curioso é que foi justificado pelo fato de não ter nenhuma forma de tradução: "&lt;b style=""&gt;sairia muito caro&lt;/b&gt;"! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Para tentar persuadir-me (e me fazer com que eu me sinta um &lt;b style=""&gt;verdadeiro otário diante do meu analfabetismo cultural&lt;/b&gt;!), fui informado que fato semelhante ocorreu com alguns outros participantes brasileiros do evento, mas alguns deles “deram um jeitinho” ou “decoraram o texto”. Trocando em miúdos, o que queriam dizer de forma mais educada era que eu era o único “chato” do congresso preocupado com questões tão “tolas”! Para variar, havia argumentado que para um evento internacional era fundamental ter algum tipo de tradutor tal como qualquer evento do gênero. Inútil! Naquele momento me senti em estrangeiro no meu próprio país e proibindo de expressar em minha própria língua materna. &lt;b style=""&gt;Diante dos acontecimentos decidi não apresentar meu trabalho e desisti de participar do evento&lt;/b&gt;. Uma das assessoras de comunicação disse que compreendia o meu caso e que passe posteriormente no local de inscrição do evento para pegar o certificado uma vez que eu já tinha pago e tudo estava registrado meu trabalho nos livretos e anais do congressos. A sensação era de um &lt;b style=""&gt;enorme nariz vermelho &lt;/b&gt;sobre meu rosto bem ao estilo &lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;persona non grata&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Vale destacar a apresentação “cultural” escolhida para os participantes estrangeiros no congresso: a capoeira (manifestação bem típica da capital paulista!). Perguntei se não teria escola de samba com mulheres semi-nuas ou coral de criancinhas pobres de alguma favela das redondezas. Nada era mais caricatural e patético o &lt;b style=""&gt;reforço dos estereótipos preconceituosos da identidade brasileira&lt;/b&gt;: mulher (leia-se prostituição), futebol, violência, floresta amazônica e seus indígenas. A fauna cultural brasileira para exportação! Interessante frisar que o mote do congresso não era para ser uma exposição de negócios ou coisas similares, mas um evento acadêmico! (Nunca é demais salientar que nada tenho contra a capoeira e outras manifestações culturais, porém sou contra os reforços ideológicos impregnados de preconceitos e subserviência.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Para quem conhece um pouco dos corredores da FEA-USP, não é de estranhar o altivo tom imperativo do &lt;b style=""&gt;amor canal com os modelos estadunidenses&lt;/b&gt; impregnado de forte &lt;b style=""&gt;ideologia neoliberal&lt;/b&gt;. Não retrato um grupo de interesses qualquer dentro da sociedade, mas estou me referindo a uma elite bem-educada e culturalmente bem estruturada e que ajuda a dar as rédeas políticas e econômicas para o restante do país. A questão de qualquer congresso internacional ser falado em um idioma estrangeiro não é nenhuma novidade ou representar algum tipo de problema. Todavia a obrigatoriedade do uso exclusivo de uma língua que não seja a língua nativa onde se realiza o evento é assustadoramente preocupante.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;As &lt;b style=""&gt;cores ideológicas se avivam &lt;/b&gt;neste momento e todas as pessoas de uma hora para outra se tornam falantes (naturais ou não) da língua inglesa em território cuja língua oficial é outra! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b style=""&gt;“A língua é minha pátria”&lt;/b&gt;, já “cantaneava” Caetano Veloso num dos versos de uma de suas canções. As implicações deste fato estão longe de velejarem nas ondas da trivialidade. &lt;b style=""&gt;Qual malefício teria se todos falarem o inglês em terras tupiniquins nos eventos acadêmicos&lt;/b&gt; (tendo em vista o ocorrido)? &lt;b style=""&gt;Muitos&lt;/b&gt;. A primeiro deles é o descolamento do sentido de nacionalidade. Será que somos nacionalistas apenas nos jogos da seleção brasileira de futebol e quando algum brasileiro é barrado nos aeroportos do chamado Primeiro Mundo? A imposição sistemática do inglês é o castiçal da ideologia neoliberal dominante que prega a globalização com cores do imperialismo cultural estadunidense. Nada é um mero jogo de “cordialidade” dos afáveis e hospitaleiros brasileiros perante os gringos. Nossas raízes paternalistas, escravocratas, subservientes e cartoriais de nossas elites políticas e econômicas emergem como fantasmas parasitando na história da constituição de nossa sociedade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Segundo ponto se refere aos&lt;b style=""&gt; rumos da universidade pública&lt;/b&gt;. Qual é o modelo de universidade pública que realmente estamos construindo? E a pergunta mais crucial: quais modelos queremos construir para a universidade pública para as próximas décadas? Concentrador e parasitário destinado a uma pequena elite mimetizadora das liturgias imperialistas ou democrática e voltada para o pensamento da construção do que Octávio Ianni chamou de “Brasil-Nação”. Quando um evento é patrocinado por uma universidade pública é razoável imaginar que deva ser amplamente aberta a todos os interessados independente de suas particularidades. E o que aconteceu neste evento da RSAI na FEA-USP? Transformou-se num evento privado para um nicho estrangeiro tão reduzido que poucas pessoas não ligadas ao evento perceberam que estava ocorrendo algum tipo de congresso (ainda foi programado justamente no período de recesso das aulas dos estudantes da instituição, ou seja, uma forma de excluí-los de antemão!). O que acredito mover mais a indignação são os eventos que deveriam ser públicos e abertos (tal como &lt;b style=""&gt;não foi&lt;/b&gt; o congresso da RSAI) serem ostentados por uma instituição pública nutrida com verbas públicas e que deveria, em tese, se preocupar com a divulgação e dispersão do conhecimento e não segrega-lo sistematicamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Terceiro ponto e acredito muito pertinente se refere à questão dos modelos ideológicos impregnados nas universidades. O modelo da FEA-USP é do paraíso telúrico de algum ponto da Suécia ou jardins estadunidenses. Alguém já ouviu falar na “&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;São Paulo of University&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;”? Chegamos ao cúmulo da &lt;b style=""&gt;subserviência tupiniquim&lt;/b&gt; ao ler coisas abobalhadas como nome da Universidade de São Paulo traduzida para o inglês, e no evento da RSAI era o que vigorava em todos os cartazes, panfletos e no site oficial do evento. Por sinal, o site do evento, todo redigido na língua inglesa sem nenhuma concessão para outra língua, trazia imagens paradisíacas do Rio de Janeiro induzindo ao visitante das páginas da internet acreditar que São Paulo e Rio de Janeiro possuem os mesmos cenários. Nada contra a capital carioca, todavia é novamente a reafirmação dos estereótipos tão desnecessários para qualquer tipo de evento internacional, principalmente acadêmico. É lamentável que uma das maiores instituições de ensino de Economia da América Latina ao invés de buscar uma identidade particular e de encontro com a realidade brasileira é um mero &lt;b style=""&gt;arquétipo de um modelo impregnado de entulho ideológico&lt;/b&gt; do imperialismo cultural estadunidense. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;É natural que a produção do saberes não se resume aos prédios e instalações megalomaníacas, mas da capacidade de professores e alunos ser potenciais irradiadores de idéias e conhecimento. Precisamos definir alguns pontos consensuais entre eles é rejeitar o modelo induzido e mimetizador de um estrangeirismo patético e inútil para nossa realidade dentro das universidades brasileiras. Um modelo elitista que pouco colabora para sanear nossas abissais disparidades socioeconômicas. Uma universidade distante da realidade local pouco serve para a sociedade, exceto a manutenção do&lt;i style=""&gt; status quo&lt;/i&gt; de uma pequena elite ao custo do erário público. Ao proibir a língua portuguesa num evento dentro de uma universidade pública não é apenas um mero reclame de alguém que se sentiu humilhado perante a situação, mas, sobretudo é o modelo ideológico fascistóide levado a cabo sem nenhuma reflexão crítica ou sequer esteja preocupado com a realidade brasileira (o paradoxo se amplia quando se lembra que justamente o evento trabalhava com as dinâmicas regionais!). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Os &lt;b style=""&gt;sentidos da globalização&lt;/b&gt; reinante não é o modelo que privilegia a universalização e promoção do regional, porém é a &lt;b style=""&gt;bota imperialista&lt;/b&gt; que esteriliza a diversidade e impõem a &lt;b style=""&gt;colonização cultural &lt;/b&gt;com bases estadunidenses como objetivo primaz estendido a todo o globo. Por exemplo, &lt;b style=""&gt;quem definiu a língua inglesa como língua oficial do planeta Terra?&lt;/b&gt; Uma coisa é a &lt;b style=""&gt;opção&lt;/b&gt; por uma língua ou outra, outro fato completamente diferente é a &lt;b style=""&gt;imposição&lt;/b&gt; de uma única língua como o único meio de comunicação perante as pessoas. A minha preocupação em especial são os falsos mitos empurrados goela adentro de milhares de pessoas muito além das fronteiras estadunidenses. A mídia a serviço do grande capital se encarrega alegremente de dispersar na sociedade os entulhos ideológicos em nome da chamada “liberdade de imprensa”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;A pasteurização da cultura é tão perigosa e nociva ao desenvolvimento das diversidades regionais. Desta maneira levamos ao limite a idéia do&lt;b style=""&gt; darwinismo cultural&lt;/b&gt;, onde as culturas regionais mais frágeis e os modelos de desenvolvimentos locais são &lt;b style=""&gt;canibalizados&lt;/b&gt; pelos ditames dos detentores das rédeas da elite dirigente estadunidense e seus parceiros europeus. A colaboração inter-regional é muito frutífera e deverá sempre ser semeada, todavia a aculturação sem questionamentos ou sem resistências apenas sinaliza a &lt;b style=""&gt;eternidade da mediocridade e a dependência socioeconômica e política&lt;/b&gt;. Neste aspecto, a FEA-USP nos deu um belo exemplo de como&lt;b style=""&gt; jamais &lt;/b&gt;uma instituição com a envergadura de uma universidade pública tão importante situada em um país com disparidades sociais tão trágicas como a brasileira. A FEA-USP se propôs a fazer um papel tão pobre e subserviente aos estéreis estrangeirismos e se afirmar no posto de patrocinador público do turismo acadêmico inútil. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ser &lt;/span&gt;&lt;b style="font-family: georgia;"&gt;estrangeiro no meu próprio país&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; é uma sensação que alguma coisa muito estranha perambula na cabeça entulhada de modismos e interesses medíocres e mesquinhos. Estes são alguns dos ingredientes de como jamais deve ser construído as bases de uma verdadeira nação independente e soberana.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-5745970451581955429?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/5745970451581955429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=5745970451581955429' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/5745970451581955429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/5745970451581955429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2008/03/estrangeiro-no-meu-prprio-pas-cenas-de.html' title='ESTRANGEIRO NO MEU PRÓPRIO PAÍS: cenas de subserviência calhorda ou turismo acadêmico inútil?'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R-I1a5djhMI/AAAAAAAAAWc/sy2n0AcAe7E/s72-c/palha%C3%A7o.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-7432969779350234730</id><published>2007-11-21T03:05:00.000-02:00</published><updated>2007-11-21T03:46:42.571-02:00</updated><title type='text'>Auschwitz à brasileira: Estado apodrecido e corrupção endêmica</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R0PE3dB8-dI/AAAAAAAAARs/00SDfHhfBAM/s1600-h/estado1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R0PE3dB8-dI/AAAAAAAAARs/00SDfHhfBAM/s320/estado1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135164457097165266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No Brasil, a expressão “fundo do poço” não é apenas mera metáfora vazia, mas uma condição existencial da estagnação do Estado. A cada momento e por mais otimista que possa ser a ótica da analise, mais preocupações trazem os dados empíricos da realidade. Os números impressionam: 90% das delegacias paulistanas receberam ou recebem dinheiro proveniente de propinas somente para policiais fazerem “vistas grossas” dentro do esquema milionário de caça-níqueis. Trocando em miúdo, delegados, investigadores e agentes policiais são tão cúmplices do mega-esquema de contravenção quanto os próprios gerentes mafiosos. A fonte é da &lt;b&gt;Agência Estado&lt;/b&gt; é resulta da apreensão de documentos de um dos articuladores da máfia dos caça-níqueis. Algo de novo em percentual tão alarmante? A resposta presumida: não! Os números da agenda encontrada com um dos mafiosos, por um setor não-podre da polícia, dão uma dimensão gritante de quão moribundo está o Estado brasileiro.&lt;span class="msoIns"&gt;&lt;ins cite="mailto:Naja" datetime="2007-11-21T00:34"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/ins&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não existem parâmetros confiáveis para atestar dados históricos da corrupção dentro da esfera da segurança pública, mas é sabidamente conhecido que a promiscuidade e a corrupção no interior das delegacias de polícia remontariam aos tempos paradisíacos de Adão e Eva (caso existisse algum agente policial para enquadrar a serpente que corrompeu o Paraíso).&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A questão que se debate não é o simples fato de ter ou não corrupção dentro da polícia, mesmo porque é uma questão já superada. Infelizmente hoje, quem pode adentrar a uma delegacia de polícia e esperar sinceramente que seu caso seja atendido com êxito? Fazer boletim de ocorrência de algum infortúnio da vida não é mais uma obrigação para fazer valer seus direitos, apenas um mero casuísmo caso haja paciência ou necessidade formal de um simples registro burocrático. Mas diante de todo o fosso da segurança pública, o fundamental é identificar o tamanho do lastro com que a corrupção contaminou os seus setores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não adiantam passeadas angelicais de pedidos de Paz ou atividades circenses que beiram ao desespero. A questão é muito mais profunda. Não adianta ter a varinha de condão e invocar num passe de mágica as forças do exército como a panacéia para a segurança pública. A questão se configura quando se percebe o tamanho da corrupção e diluição institucional dentro das polícias.&lt;span class="msoIns"&gt;&lt;ins cite="mailto:Naja" datetime="2007-11-21T00:34"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/ins&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Corrupta, atabalhoada, descentralizada, ineficiente, pessimamente equipada, policiais com salários irrisórios... A lista do sucateamento da segurança pública não pára por aqui. A violência nutre-se de forma endógena de mais violência, um moto-contínuo sem piedade numa verdadeira espiral de destruição da sociedade e dos ornamentos institucionais. Diante deste calabouço, o Estado brasileiro não é apenas ineficiente e corrupto, é autofágico.&lt;br /&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A autofagia que destrói os alicerces básicos da constituição orgânica minimamente civilizada. As profundas chagas derivadas da secular disparidade social criaram bolsões de miséria sem lei ou qualquer futuro alentador. A polícia e sua decadência como poder público é apenas mais um reflexo da diluição do Estado. Aliado à decomposição da educação pública e do sistema sanitário e de saúde, os serviços básicos da teia social se fragmentaram. Tal reflexo atinge diretamente o estágio de esfacelamento e morbidade que se ergue exponencialmente, ano após ano, e sem nenhuma perspectiva de mudança a qualquer tipo de prazo. Possivelmente o exemplo mais emblemático do esfacelamento do Estado repousa angustiadamente no garoto maltrapilho vendedor de balas (quando não passa de uma mera forma desesperada de pedir esmola) nos faróis dos grandes centros urbanos. A sociedade se tornou em um emaranhado de seres ziguezagueantes forjado com uma índole de granito insensível, pustulento e grotesco. É o preço caríssimo da diluição da esfera pública.&lt;br /&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;span style="font-size:100%;"&gt;  &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nosso desenvolvimento capitalista é bastardamente senil. Um monstro tão atípico que ora tem números econométricos de uma Suécia, ora é imerso em um misto apodrecido da Faixa de Gaza e Somália. A corrupção não é privilégio de nenhuma sociedade. No caso brasileiro, a corrupção é enraizada, endêmica e faz parte do útero de uma economia subterrânea.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As mazelas são inúmeras, conhecidas e alarmantes. Policiais que ganham salários ridículos, uma estrutura podre que é um verdadeiro convite ao crime e que parte para a propina como engorda de seus soldos. O sistema de transporte privatizado, que somente sobrevive alicerçado sobre uma máfia que arregimenta um expressivo número de trabalhadores na mais total informalidade. Cassinos sob a fachada de bingos lavam e secam dinheiro sujo e patrocinam o narcotráfico. Agentes do Departamento de Trânsito (DETRAN) em conluio com auto-escolas que condicionam a &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;aprovação dos alunos nos exames à &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;liberação de propina de R$ 300,00 por aluno (em valores atuais). Sistema judiciário míope e cínico que privilegia quem pode corromper mais o juiz ou pagar um advogado não tão ruim. A política do superfaturamento de orçamento público e o desvio de verbas em todas as esferas do governo como a única finalidade básica do "homem público": o famigerado enriquecimento ilícito e a política se metamorfoseando em um mero espetáculo eleitoreiro. No submundo da economia do ilícito, tráfico de drogas, armas, mulheres e toda sorte de falcatruas sempre contanto com a participação de agentes do Estado em suas operações e organizações cada vez mais coesas e produtivas. A lista novamente é grande e o espaço para a escrita é ínfimo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O grau de destruição do Estado não espanta apenas pela dimensão, mas, sobretudo pela falta de visão política de reconstrução do Estado. O espectro político da direita à esquerda não trouxe novidade alguma em suas práticas. Sejam tucanos neoliberais ou petistas do lulismo neoliberal, a agonia pelo imediatismo do voto e o sangue do poder enegreceram suas práticas políticas. Após o regime militar, sucessivos governos ditos "democráticos" não trouxeram grande mudança ao atual quadro social brasileiro. Algum número com manipulação de resultado pode até aliviar a miséria, mas não a elimina. Vinte e cinco anos de severa timidez econômica (média anual quase nunca passando de 4% de crescimento do PIB) aliada à diluição assustadora da ordem social produziram uma modernização excludente que primou pela violência, aglutinação conservadora e segregacionista, além de estampar o esgotamento de um modelo social falido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não existe progresso com exclusão e tampouco desenvolvimento amparado por grotescos bolsões de miséria. São termos antípodas e não permitem que sejam enjaulados numa mesma conjectura socioeconômica. A diluição da política se constrói no espaço assimétrico do estrangulamento econômico. Não podemos nos contentar com ilhas de progresso fortuito cercadas por famélicos e subempregados aglomerados nas senzalas pós-modernas. Atualmente, cerca de 40 milhões de brasileiros sobrevivem em situação crítica, ou seja, situados na linha de pobreza. Como justificar tamanha violência dos centros urbanos somente pela linha de raciocínio simplista e fascista, de que basta colocar tanque de guerra, porrada, cacete e cadeia que os problemas se resolvem num passe encantado de pura mágica fascista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A corrupção policial não é a causa da explosão de violência crescente das últimas décadas, mas o sintoma avassalador do modelo falido de visão governamental. A política sucumbiu à ordem e matrizes econômicas. O Estado, quando existe, é apenas para atender alguns desejos da ordem capitalista. Em outras palavras, o Estado quando funciona abdica de sua autonomia política e reduz a sua ação apenas à manutenção da ordem. Essa ordem se traduz na não-perturbação do fluxo do grande capital e, seguindo esta natureza, a ação estatal se limita a não permitir a criação de obstáculos para a sua circulação. Segregar contingente populacional inteiro em guetos significa que essas pessoas não têm mais importância num modelo capitalista cada vez mais autônomo de trabalhadores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;A violência se acirra com amplitude da agonia proveniente da exclusão e miséria. O permanente estado de beligerância do Rio de Janeiro é mais um monstruoso exemplo de que o poder do Estado não mais existe e pouco se faz presente no espaço social. Substituindo macabramente o papel estatal, quadrilhas paramilitares assumem o papel eclodindo em ondas intermitentes de ca&lt;/span&gt;os e guerrilha urbana. A questão de São Paulo e as suas gangues organizadas dentro de presídios com participação de advogados e agentes públicos, já cometem ondas de violência explícita sem paralelos na história recente do estado e também reforçam as raízes da diluição do poder estatal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;br /&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;A corrupção da segurança pública é mais um detalhe pertinente na latrina regurgitada do caos a que o descaso e a irresponsabilidade de uma elite perversa, cega e inconseqüente conduziram este país. O caos é a contraparte da sociedade organizada. É dentro da sociedade que pode se organizar a única bastilha que possibilite&lt;/span&gt; o resgate de uma ordem de valores possíveis, para que a prática da política se erga contra a ditadura da ordem econômica. Não podemos apenas se contentar em uma caricatura medíocre e assassina de cidadania: “&lt;i&gt;consumo, logo existo&lt;/i&gt;”! E preciso recuperar a idéia de sociedade como espaço socializável dos seres humanos e não apenas como muros do condomínio fechado do &lt;b&gt;apartheid&lt;/b&gt; brasileiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;br /&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quanto mais os habitantes de uma sociedade se refugiarem na utopia egocêntrica, na tentativa de ser proteger em vão da adversidade do caos, mais estarão contribuindo para a construção de um mundo segregado, hostil e violentamente mórbido. Uma espécie de “solução final” (&lt;i&gt;Endlösung&lt;/i&gt;) tupiniquim em alusão à nefasta e megalomaníaca política do Estado nazista. Com miopia avassaladora, exaltação extrema do individualismo e a segregação social - assim estão sendo traçados os caminhos para a trágica consolidação do nosso Auschwitz à brasileira.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;________________________________________________________________________________&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Referência: &lt;/span&gt;&lt;span style="text-transform: uppercase;font-family:georgia;" &gt;Agência Estado&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;. Das 8 seccionais de São Paulo, 7 sob suspeita. São Paulo, 17/06/2007.  Disponível em&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: georgia;" href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/2007/06/17/ult4469u5486.jhtm"&gt;http://noticias.uol.com.br/ultnot/2007/06/17/ult4469u5486.jhtm&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; .&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-7432969779350234730?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/7432969779350234730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=7432969779350234730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/7432969779350234730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/7432969779350234730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2007/11/auschwitz-brasileira-estado-apodrecido.html' title='Auschwitz à brasileira: Estado apodrecido e corrupção endêmica'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R0PE3dB8-dI/AAAAAAAAARs/00SDfHhfBAM/s72-c/estado1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-3062683487252285863</id><published>2007-11-18T09:14:00.001-02:00</published><updated>2007-11-18T09:21:38.344-02:00</updated><title type='text'>Trabalho infantil ontem e hoje: um brevíssimo panorama da barbárie à brasileira (2a. Parte)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R0AgDNB8-SI/AAAAAAAAAQU/C17vbvpkTUI/s1600-h/trabalho_infantil2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R0AgDNB8-SI/AAAAAAAAAQU/C17vbvpkTUI/s320/trabalho_infantil2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134138814611912994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Segundo a &lt;b style=""&gt;Organização Internacional do Trabalho&lt;/b&gt; (&lt;b style=""&gt;OIT&lt;/b&gt;), estima-se que existem cerca de 350 milhões de crianças entre cinco e dezessete anos economicamente ativa em todo o planeta, sendo que 60% com menos de quinze anos e 70% estão trabalhando no setor agrícola. Se considerar os que trabalham em tempo parcial, este número situa-se em 250 milhões (61% na Ásia, 32% da África e o restante, e o restante espalhados pela América Latina). Desse número, 73% estão empregados nas piores formas de trabalho infantil, ou seja, 170 milhões se ocupando em trabalho perigoso, 8 milhões de crianças são alocadas em formas degradantes e perversas: o trabalho forçado ou escravo (5,7 milhões), conflito armado (0,3 milhão), prostituição e pornografia (1,8 milhões), tráfico de drogas (1,2 milhões) e outras atividades ilícitas não-catalogadas (0,6 milhões) (Kassouf, 2004).&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;No Brasil, a &lt;b style=""&gt;Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios&lt;/b&gt; (&lt;b style=""&gt;PNAD&lt;/b&gt;) de 2001 e reflete os anos 1990, catalogou aproximadamente 3,5 milhões de crianças de cinco a quinze anos que estão trabalhando, o que pode representar cerca de 10% do total das crianças e jovens nessa faixa etária (considerando os que estão procurando emprego). Entre os que possuem dezesseis e dezessete anos, são quase 2,4 milhões de trabalhadores ou 35% do total de jovens nessa faixa etária (Kassouf, 2004a). Portanto, no Brasil, o total de crianças e jovens entre cinco a dezessete anos que tem alguma ocupação é da ordem de 5,5 milhões, ou seja, 12,71% do total de crianças e jovens brasileiros estimados pelo PNAD em 2001. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Segundo o &lt;b style=""&gt;Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística&lt;/b&gt; (&lt;b style=""&gt;IBGE&lt;/b&gt;), quase meio milhão de meninas brasileiras estão trabalhando em casas de terceiros, executando todos os tipos de serviços domésticos, com jornadas excessivas e com pouca ou nenhuma remuneração financeira e tampouco amparo das leis trabalhistas. São 494.002 trabalhadores domésticos entre cinco e dezessete anos, sendo que desse total, 222.865 estão abaixo dos dezesseis anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;A incidência de trabalho infantil é maior nas regiões do Nordeste e Sul, com 13% e 10%, respectivamente, das crianças trabalhando. Se for focalizada a distribuição territorial dos trabalhadores-mirins, e ainda utilizando os dados do PNAD de 2001, em termos percentuais (relativos) os principais estados com o maior número de exploração do trabalho de crianças e jovens entre cinco e dezessete anos, em ordem decrescente, Maranhão (22,23%), Tocantins (18, 32%), Piauí (17,41%), Ceará (16,92%), Alagoas (17,07%), Bahia (16,36%) e Pernambuco (16,13%). Todavia, quando se observa os números absolutos de trabalhadores-mirins, o quadro de altera colocando São Paulo (747.885) em destaque, seguindo nas primeiras posições, Bahia (617.009), Minas Gerais (578.728), Maranhão (417.291), Ceará (368.934), Rio Grande do Sul (366.136) e Pernambuco (361.005). Vale enfatizar o caso de &lt;b style=""&gt;São Paulo que possui o &lt;i style=""&gt;status&lt;/i&gt; de maior estado do eixo econômico brasileiro é o campeão nacional de exploração do trabalho de crianças e jovens de cinco a dezessete anos em número absoluto e também no número absoluto de trabalhadoras domésticas na mesma faixa etária&lt;/b&gt; (quase 70 mil). Resultados contrários ao que muitos paulistas e demais brasileiros tendem a acreditar no mítico capitalismo do progresso material sem espoliação humana!&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="text-align: justify;"&gt;É importante ressaltar ainda as dimensões sociais das ocupações deste tipo de exploração de trabalho para entender as disparidades existentes nos números apresentados e as disparidades econômicas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O trabalho infanto-juvenil existe com maior freqüência nas regiões agrícolas e em atividades também agrícolas e em famílias que trabalham por conta própria, seja na agricultura, seja em atividades urbanas (destaca-se o pequeno comércio e os serviços). No Brasil, 53% das crianças entre cinco a quinze anos trabalham nas regiões agrícolas e estes percentuais se modificam na medida em que vão atingindo sua maturidade: 30% de ocupação no setor agrícola dos jovens entre dezesseis e dezessete anos e 17% entre dezoito a sessenta anos (Kassouf, 2004b). Segundo Schwartzman (2001), "&lt;i&gt;tipicamente, o trabalho infantil começa no Brasil como uma atividade junto à família, no trabalho agrícola, que vai envolvendo um número crescente de crianças à medida que elas amadurecem&lt;/i&gt;". Apesar de a região Sul estar entre as regiões mais desenvolvidas do país, existe uma importante base de agricultura familiar nessa região, o que pode justificar as similaridades dos números da incidência do trabalho infantil das regiões Sul e Nordeste, ou seja, a região com maior gravidade de problemas econômicos do país.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="text-align: justify;"&gt;Dessa maneira, não existem zonas de exclusão desse tipo de exploração do trabalho, todas as regiões contribuem sem ressalvas para a exploração do trabalho infantil. Em termos absolutos, o Nordeste possui o maior número de crianças trabalhando, cerca de 1,5 milhão, seguido pela região Sudeste, com 710 mil trabalhadores-mirins (Kassouf, 2004c). Em termos regionais, ele prepondera tanto nos estados mais pobres do país, como a Bahia e o Ceará, como nos estados do Sul, como Santa Catarina e Rio Grande, que têm uma tradição de agricultura familiar mais consolidada. Nas idades mais inferiores, prepondera o trabalho sem remuneração que, quando ocorre, aumenta com a idade: até os quatorze anos, mais da metade das crianças trabalha sem remuneração; aos dezessete, 68% já recebem pelo trabalho que desempenham. Existe uma tendência que resulta na medida em que a população brasileira deixa o campo, o trabalho infantil também é reduzido.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;A exploração do trabalho infantil é reforçada quanto aos percentuais de remuneração (isto é, quando existem) auferida pelos trabalhadores-mirins: em média, apenas 35% das crianças recebem salário por seu trabalho, sendo que nas áreas urbanas este percentual é em torno de 58%, contra 13%, em média, nas áreas rurais. Quando recebe alguma remuneração, o trabalho das crianças entre cinco a quinze anos, no ramo agrícola corresponde entre &lt;st1:metricconverter productid="40 a" st="on"&gt;40  a&lt;/st1:metricconverter&gt; 100% da renda familiar em 16,5% dos casos pesquisados pela PNAD (2001), no setor da construção civil, o percentual é de 12%, setor de serviços corresponde a 11,2% e comércio e social, respectivamente, 11,2% e 2,9%. Dessa maneira, a participação da remuneração proveniente do trabalho infantil é ainda significativa para a composição da renda de suas famílias. É possível perceber através dos dados, o trabalho infantil se engendra visceralmente na precarização econômica de suas famílias contribuindo para acentuação e perpetuação de sua lamentável e gritante exploração.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Existe ainda um mito na sociedade brasileira que não condena a exploração do trabalho infantil com a veemência e a atenção que o tema exige. Muitas vezes, é até visto com "bons olhos" o trabalho das crianças com as mais inverossímeis justificativas. Para os padrões brasileiros, uma criança fica na escola em torno de 8 anos no ensino fundamental e mais 3 anos no ensino médio, perfazendo 11 anos de ensino básico. Nas áreas rurais, o índice de analfabetismo até os quinze anos chega a 7,87% e o número médio de estudos é 4,29 (ou seja, o máximo atinge o final do fundamental I, a quarta série). No comércio o índice de analfabetismo é de 1,54% e, em média, com 6,24 anos de estudos e no setor da construção civil o índice de analfabetismo e anos de estudo são, respectivamente, 1,71% e 5,47. Ressaltam-se as disparidades regionais em termos de número de anos de estudo de crianças abaixo de quinze anos, no Sudeste é em torno de 6,70 contra 5,19 no Nordeste. Assim, em média, no Sudeste as crianças estudam cerca de 60% da carga básica de estudos enquanto que o percentual é de 47,2% no Nordeste (menos da metade mínimo necessário!).&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Os números do trabalho infantil demonstram que os parcos esforços governamentais para eliminar suas práticas nocivas ao desenvolvimento da criança tem sido irrisórios e somente atenuam focos pontuais e por tempo delimitado. A tragédia econômica, social e psicológica para uma criança em estado de exploração trás naturalmente danos irreversíveis para sua vida. As conseqüências são trágicas e conhecidas: com menor escolaridade, menor será a sua renda futura. Sem nenhum grau de instrução ou com baixa escolaridade, quanto mais cedo a pessoa se tornar economicamente ativa, menor será a sua renda ao final de 30 anos de trabalho (sem considerar os impactos deletérios para sua saúde).&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;Entre outros fatores de natureza socioeconômica de desenvolvimento regional, libertar essas crianças das zonas de exploração do trabalho depende enfaticamente das melhorias gradativas das condições econômicas de suas famílias, além da inadiável fixação da criança em período integral na escola com subsídios mínimos de assistência econômico e social. A vital ampliação das verbas públicas voltadas para a educação e segurança social será plenamente justificada pela efetiva e acelerada política de erradicação das formas de exploração de crianças e jovens e a conseqüente mudança do padrão de vida de suas famílias.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;         &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;A erradicação do trabalho infantil não deve ser apenas tema de análises conjunturais e estatísticas por parte do governo brasileiro. É pertinente uma mudança cultural por parte de todos os estamentos sociais se posicionando contrário a todas as formas manifestadas de exploração de crianças em nome de alguma atividade econômica. A sociedade brasileira deve se indignar com veemência, cobrar das autoridades responsáveis efetivas ações e não compactuar com os mitos degenerativos da vida de uma criança explorada e, em muitos casos, confinada pelo seu explorador em uma situação de total desprezo pela vida humana. É fundamental ressaltar que sem uma atuante política governamental que diminua sensivelmente as trágicas e seculares disparidades sociais brasileiras a tendência será certamente a perpetuação da barbárie sob a forma de exploração do trabalho infanto-juvenil.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Referências bibliográficas:&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;           &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;KASSOUF, Ana Lúcia (coord.). O Brasil e o trabalho infantil no início do século 21. Brasília: OIT, 2004a.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;KASSOUF, Ana Lúcia (coord.). Trabalho infantil no ramo agrícola brasileiro. Brasília: OIT, 2004b.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;KASSOUF, Ana Lúcia (coord.). Perfil do trabalho infantil no Brasil, por regiões e ramos de atividade. Brasília: OIT, 2004c.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;SCHWATZMAN, Simon. Trabalho infantil no Brasil. Brasília: OIT, 2001&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-3062683487252285863?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/3062683487252285863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=3062683487252285863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/3062683487252285863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/3062683487252285863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2007/11/trabalho-infantil-ontem-e-hoje-um.html' title='Trabalho infantil ontem e hoje: um brevíssimo panorama da barbárie à brasileira (2a. Parte)'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/R0AgDNB8-SI/AAAAAAAAAQU/C17vbvpkTUI/s72-c/trabalho_infantil2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-7267730564598141680</id><published>2007-11-17T22:20:00.000-02:00</published><updated>2007-11-17T22:38:58.050-02:00</updated><title type='text'>Trabalho infantil, ontem e hoje: o capitalismo sem limites (Primeira Parte)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/Rz-JMNB8-QI/AAAAAAAAAQE/JYdQm-RHnjA/s1600-h/trabalhoinfantil.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/Rz-JMNB8-QI/AAAAAAAAAQE/JYdQm-RHnjA/s320/trabalhoinfantil.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133972942974941442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A base de sustentação do sistema capitalista é a exploração do trabalho. Desde seu advento, nos primórdios da Revolução Industrial inglesa em fins do século XVIII, o trabalho de camponeses expulsos do campo para as cidades era a força motriz do sistema fabril. Nada era recusado ou era batizado por algum princípio ético de dignidade humana: homens, mulheres e crianças eram as forças constituintes do modo de produção. O trabalho infantil sempre foi visto com olhares de cinismo e discurso barato. Em todas as grandes potências que hoje se rotulam de "Primeiro Mundo", têm em comum na sua base constituinte de produção material o trabalho infantil em regime de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;escravidão&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;semi-escravidão&lt;/span&gt; (ou seja, ganham tão somente para se alimentarem).&lt;/span&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0);font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não nos iludimos com os princípios da ética capitalista. A moral desse modo de produção não é a primazia da ética, mas a busca incessante do lucro a qualquer custo. Não surpreende que a China, com seu regime comunista engendra um motor avassalador de um capitalismo que mescla primitivismo técnico e alta tecnologia, fazendo uso maciço do trabalho infantil. A base do capitalismo chinês nas disputas mercantis pelos mercados globais está no uso intensivo de mão-de-obra barata que beira a escravidão ou servidão por dívidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nenhuma potência do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do planeta mais a Rússia) tem autoridade moral para questionar a exploração da mão-de-obra de crianças, sejam elas chinesas, brasileiras ou paquistanesas. Em cada momento do seu tempo, as bases fabris desses países usaram largamente o trabalho de suas crianças para a acumulação e ampliação de suas bases capitalistas. O dinheiro pode apagar da lembrança de alguns homens tais degradantes episódios, porém a história sempre tratará de resgatá-los com hombridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O mero “denuncismo” pouco adianta num mundo onde a usura incontrolável por mercados e lucros são a tônica do processo. Por exemplo, alguns setores da mídia denunciam o uso do trabalho infantil chinês na confecção de mercadorias para serem vendidos como souvenires para as Olimpíadas de Pequim no próximo ano. A denúncia não é um fato atípico como muitos pensam, porém é simplesmente a regra. Tendo em vista a cortina-de-ferro promovido pelo esquizofrênico Estado chinês, os números da exploração do trabalho infantil podem ser incalculáveis, principalmente nas áreas mais afastadas dos grandes pólos industriais de tecnologia, onde as técnicas são mais rudimentares de produção, como são os casos da confecção de brindes, vestuários, calçados, alguns brinquedos entre outras mercadorias de baixo valor agregado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No caso do caso do capitalismo tardio brasileiro, a situação não difere dos demais países da vanguarda capitalista. O IBGE estimou em 2003, cerca de 5 milhões de crianças e jovens na idade entre &lt;st1:metricconverter st="on" productid="5 a"&gt;5  a&lt;/st1:metricconverter&gt; 17 anos que possuem alguma atividade remunerada, em detrimento da lei que proíbe trabalho para menores de 16 anos. O universo de trabalhador-mirins pode ser muito maior que os números possam registrar uma vez que não é possível coletar dados satisfatoriamente das inúmeras fazendas e pequenas oficinas de trabalho escravo escondidos e espalhados pelas diversas regiões do país.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;color:blue;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:georgia;" &gt;Não é possível combater sistematicamente o trabalho infantil apenas com bom-mocismo e uma cesta de políticas pífias como as tais “bolsas-auxílio-alguma-coisa” (ou melhor, bolsa de perpetuação da miséria!) e fiscalização frouxa (aliás, quando existe alguma fiscalização com um número de fiscais irrisórios para o quadro nacional!). No caso do Brasil, os números governamentais podem ter algum declive, mas jamais teremos uma erradicação completa do trabalho infantil. Na prática, em nenhum lugar do mundo onde existe superexploração do trabalho infantil terá mudança substancial sem abalar estruturalmente o sistema capitalista que o alimenta e reproduz repetitivamente de forma quase perpétuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A ótica do sistema capitalista de exploração do trabalho como vias pavimentadas para o lucro, jamais libertará de bom-agrado estas milhares de crianças e jovens indefesas, sem destino e renda. Associada a uma perversa distribuição de renda que destrói famílias inteiras e se vendo na obrigação compulsória de sustentá-las de forma quixotesca. Este contingente de trabalhador-mirins se submetem à mercado para vender a única coisa quer restam entre seus dedos: sua força de trabalho e selar seu destino nas inúmeras pocilgas que não-raro, está associada à uma grande empresa "eticamente" cumpridora de seus obrigações fiscais perante o Estado. Um exemplo bastante conhecido é a arrogante loja da elite paulistana, a &lt;b style=""&gt;Daslu&lt;/b&gt;, que comprava contrabando de mercadorias pirateadas a baixo custo com mão-de-obra de exploração chinesa e vendia com preços exorbitantes como se fossem bugigangas européias, sem passar pelo fisco e não pagar nenhum imposto. Será mera inocência de algum desavisado gerente de importação da aburguesada loja? Na dinâmica capitalista, a exploração é a norma e não a exceção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Do ponto de vista histórico, não existiu construção capitalista nas sociedades mais desenvolvidas do ponto de vista de acumulação de bens, sem o uso maciço de mão-de-obra com precárias condições de trabalho (semi-escravidão), incluindo o largo uso do trabalho de mulheres e crianças em sua máquina de moer gente e produzir dinheiro. Aliás, é justamente desta exploração que geraram dividendos para a acumulação primitiva possibilitar novos saltos rumo à novos estágios de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Também não existem produção e distribuição capitalista sem o papel do "atravessador", ou seja, o intermediário entre a produção e o consumo final. Atrás de uma criança escravizada pelo trabalho há sempre uma grande loja, empresa ou indústria de comportamento "ético e legal" que vampirizam o trabalho dessas crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O trabalho infantil das crianças brasileiras e chinesas é um bom exemplo de uma verdadeira vergonha da humanidade, entre tantas outras misérias em nome da disputa incomensurável pelos lucros, que produz uma acumulação de bens e capital com o suor, lágrimas e dedos estourados desse enorme continente populacional de escravos-mirins. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; color: rgb(0, 0, 0); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A volúpia e a desfaçatez dos homens e mulheres que detém as rédeas do monstruoso modo de superexploração capitalista, beira ao completo canibalismo primitivo em nome da panspermia do dinheiro a qualquer custo.&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;color:blue;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:georgia;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-7267730564598141680?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/7267730564598141680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=7267730564598141680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/7267730564598141680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/7267730564598141680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2007/11/trabalho-infantil-ontem-e-hoje-o.html' title='Trabalho infantil, ontem e hoje: o capitalismo sem limites (Primeira Parte)'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/Rz-JMNB8-QI/AAAAAAAAAQE/JYdQm-RHnjA/s72-c/trabalhoinfantil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-6211922205078829952</id><published>2007-09-19T04:25:00.000-03:00</published><updated>2007-11-17T22:54:23.764-02:00</updated><title type='text'>A indifereça diante da barbárie</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/RvDaJZ6wtHI/AAAAAAAAAIA/viFKilyeb0o/s1600-h/180907nazi08.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/RvDaJZ6wtHI/AAAAAAAAAIA/viFKilyeb0o/s320/180907nazi08.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5111825432176538738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:78%;"  &gt;Oficial Karl Hoecker e funcionárias nazistas descansam em região próxima a Auschwitz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal estadunidense, &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.nytimes.com/"&gt;The New York Time&lt;/a&gt;&lt;a style="font-weight: bold;" href="http://www.nytimes.com/"&gt;s&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;divulgou matéria a respeito da recuperação de fotos que data da Segunda Grande Guerra, em 1944, e que serão exibidas no Museu do Holocausto, situado nos Estados Unidos. Num total de 116 imagens inéditas do grande público, é possível notar os belos e risonhos semblantes dos oficiais da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;SS&lt;/span&gt; nazista, a elite das tropas de Adolf Hitler, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;que descrevem um cotidiano pouco usual de lazer, descontração e informalidade em pleno campo de extermíno de Auschwitz. ( A matéria poderá ser acessada em sua versão em português disponível no sítio da UOL clicando &lt;a style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);" href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2007/09/19/ult574u7797.jhtm"&gt;aqui&lt;/a&gt;.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o jornal de Nova Iorque: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Em vez de mostrar os homens desempenhando suas tarefas no campo de concentração, as fotos retratavam, entre outras coisas, um grupo de homens da SS cantando alegremente, acompanhado de um acordeão; Hocker acendendo a árvore de Natal do campo, jovens mulheres da SS brincando alegremente e oficiais relaxando, alguns sem suas vestes, fumando um cigarro&lt;/span&gt;". A barbárie poderá ser vista nitidamente nessas imagens, Auschwitz como um teatro de operações cuja execução de suas tarefas desenvolvidas no dia-a-dia trouxeram um grande e sádico prazer para os exterminadores nazistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contraponto da barbárie se caracteriza pelo ambiente de conforto e aparente tranquilidade dos homens de Hitler em detrimento dos horrores implementados dentro do campo onde prisioneiros do regime estavam sofrendo todo um sortilégio de desgraça faustiana: fome, trabalhos forçados, maus tratos e doenças. Morrem cerca de 1,1 milhões de pessoas sob as mais macabras e fúnebres formas em Auschwitz. Tudo para satisfazer a aventura megalomaníaca de Hitler e seus comandantes nazistas para os esforço para dominar o mundo e "purificar raça ariana", culminando no extermíno de milhares de judeus, ciganos, inimigos do regime e outras etnias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o término da guerra e a derrota de Hitler para os Aliados, Auschwitz foi liberado pelas forças soviéticas no dia 27 de janeiro, abandonado e evacuado no dia 18 de janeiro de 1945.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-6211922205078829952?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/6211922205078829952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=6211922205078829952' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/6211922205078829952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/6211922205078829952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2007/09/indiferea-diante-da-barbrie.html' title='A indifereça diante da barbárie'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/RvDaJZ6wtHI/AAAAAAAAAIA/viFKilyeb0o/s72-c/180907nazi08.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6181455855823840359.post-2634813119846759762</id><published>2007-09-10T07:34:00.000-03:00</published><updated>2007-09-10T07:51:36.217-03:00</updated><title type='text'>A guerra civil fluminense: violência, narcotráfico e a falência do Estado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/RuUhjgqDevI/AAAAAAAAAHY/DGqlvgXk2FE/s1600-h/violencia-RJ-3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/RuUhjgqDevI/AAAAAAAAAHY/DGqlvgXk2FE/s320/violencia-RJ-3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5108526246267157234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;Cachorro latindo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;Criança chorando&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;Vagabundo vazando&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;É o Bope chegando&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;Tropa de elite, osso duro de roer&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;Pega um, pega geral, também vai pegar você &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;(Versos cantados pelos policiais do &lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;Bope&lt;/span&gt; durante os exercícios físicos e divulgado como "&lt;b&gt;hit"&lt;/b&gt; em vários sites da internet como o YouTube)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;div style="border-style: none none solid; border-color: -moz-use-text-color -moz-use-text-color windowtext; border-width: medium medium 1.5pt; padding: 0pt 0pt 1pt;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;1. A barbárie sem limites&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Qual o limite entre a civilização e a barbárie? No Brasil das desigualdades enraizadas, imerso nos rincões mais inóspitos dos centros econômicos regionais e locais com a proliferação das favelas jogadas à sua própria sorte. O limite há muito tempo já foi ultrapassado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;A estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) de que, em 2020, haverá cerca de 1,4 bilhão de pessoas morando em favelas em todo o mundo, das quais 162 milhões na América Latina e no Caribe (as áreas mais alarmantes se encontram na região da África Subsaariana). Segundo a &lt;b&gt;Agência Brasil&lt;/b&gt;, o Brasil conquista atualmente uma liderança negativa "&lt;i&gt;em termos de habitação precária na região latino-americana e caribenha é exercida pelo Brasil, onde cerca de 52,3 milhões residem em favelas, de acordo com dados do UN-Habitat, programa da Organização das Nações Unidas (ONU) para assentamentos humanos. Cerca de 90% do déficit habitacional brasileiro, estimado em 7 milhões de moradias está concentrado na população que recebe até três salários mínimos por mês&lt;/i&gt;"(1). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;O fenômeno brasileiro da "&lt;b style=""&gt;favelização&lt;/b&gt;" tem origem no final do século XIX. Durante a primeira década do século XX, as favelas começam a se desenvolver, principalmente depois da abolição da escravatura e cujo processo foi deflagrado sem numa integração socioeconômica os escravos libertados. É alto o grau de imprecisão sobre o número exato de favelas no Rio de Janeiro, incluindo-se neste quesito a própria indefinição consensual do conceito de "&lt;b&gt;favela&lt;/b&gt;".&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Em 2003, a UN-Habitat produziu o mais recente relatório global sobre assentamentos humanos, “&lt;i style=""&gt;The Challenger of Slums&lt;/i&gt;”. O documento classificava o termo inglês “&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;slums&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;” em quarto tipos de assentamentos para o caso brasileiro: favela, loteamento, invasões e cortiços (2). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 5pt 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contabilizou dados de 518 favelas enquanto o Instituto Pereira Passos (IPP), órgão da Prefeitura do Rio de Janeiro, trabalha com um número ao redor de 750. Terror, sangue e tráfico são os componentes explosivos que encarceram milhares de brasileiros sitiados dentro de nichos de sua própria nação. Não é possível generalizar pejorativamente as favelas brasileiras como um refúgio exclusivo de criminosos, mas um espaço deletério da vida social de milhares de brasileiros sem abrigo no asfalto e sem esperança no futuro. Hoje, a violência urbana é a uma enfermidade coletiva que merece ser tratada como epidemia social das mais alarmantes. O caso do Rio de Janeiro merece um particular destaque. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u  style="color: rgb(255, 0, 0);font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;2.“&lt;span style=""&gt;Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;A edição não-oficial do filme, “&lt;b&gt;Tropa de Elite&lt;/b&gt;” (2007), dirigido por José Padilha, contempla um esboço da guerra civil travada nos morros no Rio de Janeiro. Sem retoques e com muita acidez, o drama focaliza a violência da "Cidade Maravilhosa" solapada pelas rajadas macabras de metralhadoras a partir da visão de três policiais do BOPE, Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro. Em tese, o BOPE é um batalhão pertencente ao conjunto da Polícia Militar, mas na prática, é um destacamento autônomo, ou seja, a “tropa de elite”, responsável pelas operações de alto risco as quais a “polícia convencional” não consegue resolver. No filme, Padilha traça um retrato bastante do cotidiano da polícia, como sendo um trabalho que mistura um certo heroísmo, corrupção, assassinato e tortura. O clima presente é de uma guerra declarada entre policiais e traficantes, os chamados “comandos”, cuja paz sempre instável entre os dois lados é movida à corrupção. A rigor, não existem heróis ou bandidos na apocalíptica guerra travada pelos pontos de drogas no Rio de Janeiro, onde os códigos babilônicos soam muito mais alto que os códigos jurídicos do Estado de Direito: olho por olho ou “chumbo por chumbo”, é assim que se constrói a barbárie cotidiana presente nos morros fluminenses. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;"&lt;i&gt;Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamentos ou punições cruéis, desumanas ou degradantes&lt;/i&gt;" é o que destaca o artigo 5&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt;. da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 10 de dezembro de 1948. Para a maioria das polícias, tal artigo não passa de uma grande "bobagem dos Direitos Humanos". Em sites como o &lt;b&gt;YouTube&lt;/b&gt; é possível encontrar vídeos caseiro de apologia do trabalho do BOPE. Os vídeos, sem uma clara identificação de seus autores, são sempre regados a muita violência explícita e ostentação de fartos armamentos de alto poder de destruição e, quase sempre, exclusivos das forças armadas. A parábola atribuída a Victor Hugo, "&lt;i&gt;quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha&lt;/i&gt;" é constante nos vídeos divulgados. Um verdadeiro espetáculo circense onde alguns "admiradores" da repressão policial procuram fazer deliberadamente uma demonstração de força tal como às facções do crime organizado costumam se auto-rotularem na rede mundial de computadores. Uma guerrilha eletrônica acéfala, explosiva e completamente inútil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Interessante analisar os métodos empregados pelo o BOPE tanto na ação dentro das favelas, quanto o processo de treinamento de seus soldados.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O filme de Padilha refaz com bastante precisão a insanidade métodos usados pelo BOPE. Enquanto o apodrecido Estado fluminense não ainda sofre intervenção federal (o que na prática ocorreu somente durante os Jogos Pan-americanos), a população dos morros e adjacências é empurrada para o campo de batalha e se transformando em verdadeiros alvos vivos. A polícia convencional, como agente do Estado, está igualmente falida, logo, cabe então ao BOPE realizar o trabalho “heróico” de subida dos morros, apreensão de drogas, armas e desmantelamento de quadrilhas de traficantes. Tudo muito lindo, maravilhoso e cinematográfico! Os “&lt;i style=""&gt;Rambos &lt;/i&gt;de preto” uniformizados em nome da suposta lei é o que resta de poder do Estado para buscar combater o tráfico. Como soldados de um Estado esfacelado e corrupto, os homens do BOPE fazem suas próprias leis e julgamentos como uma própria seita.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Nos treinamentos, tanto no filme como nos vídeos divulgados na internet, enquanto fazem uma série de exercícios físicos e técnicos, os candidatos a ingressarem no BOPE entoam alienadamente hinos da tropa que traduzem o “espírito do grupo”: &lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;"Homem de preto, qual é sua missão? Entrar pela favela e deixar corpo no chão. Homem de preto, o que é que você faz? Eu faço coisas que assustam o satanás!&lt;/span&gt;". &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Uma característica absurdamente notável do BOPE são os carros blindados que sobe os morros e resistentes até mesmo a tiros de fuzil AR-15. O veículo blindado é convencionalmente chamado de "Pacificador", mas é mais conhecido pela população do morro como "Caveirão". A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) defende o uso do veículo em "operações policiais especiais" nos locais onde há maiores dificuldades da polícia no conflito com traficantes.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Estima-se que as Polícias Civil e Militar já contam com oito viaturas desse tipo, sendo uma da Polícia Civil e as demais da Polícia Militar. Não há armas de fogo acopladas ao Caveirão e são levadas pelas equipes de apoio terrestre. Segundo a estratégia policial, o veículo tem como função romper barreiras físicas impostas pelos traficantes em seus "territórios", sendo ainda utilizado no resgate de feridos em confrontos. Entretanto, a chegada do Caveirão no morro é um sinal de desespero para a população que busca abrigo entre o tiroteio de guerrilha entre policiais e traficantes, assim como sentencia um dos &lt;b style=""&gt;“&lt;span style=""&gt;hits”&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;do BOPE em sites da internet: "&lt;i style=""&gt;O BOPE vai te pegar!&lt;/i&gt;". &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Pior que na Bósnia ou Haiti, a guerra civil no Rio de Janeiro vem contabilizando saldos de mortos que batem absurdos recordes. Diante da falência do Estado de Direito, a guerra é inevitável. O clima onipresente da violência tendo ponto principal a disputa pelo bilionário comércio das drogas. O conflito generalizado entre traficantes com táticas de guerrilha, mercenários com distintivos de policiais (as chamadas “&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;milícias&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;”, ou seja, um segmento da “banda podre” das polícias e inicialmente foram desastradamente incentivados pelo governo do Rio de Janeiro) ocupando morros e a agressividade da atuação policial para “&lt;i style=""&gt;matar com eficiência e dignidade&lt;/i&gt;”. A instável Paz entre os protagonistas dos combates são mediados pela farta distribuição de propina entre os elos da cadeia dos agentes dessa guerra. Na mira de tiro está à população pobre dos morros, marginalizada, estigmatiza e indefesa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Cabe ainda a pergunta aos comandantes da elite da polícia fluminense e ao seu chefe maior, o governador: quem foi adestrado para matar é capaz de arregimentar a Paz? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;3."Eu vou pegar a sua alma"&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O caso do BOPE é emblemático. Uma tropa movida a uma precisão invejável para banhar os morros cariocas com violência e sangue seja ele de qual for a sua natureza. A oferta e demanda são as premissas básicas da economia de qualquer negócio dentro do mundo capitalista e o bilionário comércio regido pelo narcotráfico não é diferente. No asfalto, a classes abastadas dos bairros ditos como “nobres” são os mercadores consumidores de todo e qualquer sortilégio de drogas. Os filhos da burguesia fluminense e seus vorazes narizes irrequietos são retratados com fortes cores sociais no filme de Padilha. O patrocínio do tráfico pelos “burguesinhos” é apontado como a causa crucial de criminalidade e motivador da violência. Certamente, não é apenas o dinheiro da alucinógena burguesia fluminense que injeta violência para dentro e fora dos morros, mas uma cultura permanente de corrupção e impunidade onde o “jeitinho brasileiro” é escanc&lt;span style="display: none;"&gt; escandaradamente "os morros, mas uma cultura permanente de corrupçitos as e traficantes. Tudo muito lindo e maravilhoso se &lt;/span&gt;aradamente praticado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Um documento divulgado em conjunto por três ONGs que trabalham com Direitos Humanos (a &lt;i style=""&gt;Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência&lt;/i&gt;, a &lt;i style=""&gt;Justiça Global Brasil&lt;/i&gt; e a &lt;i style=""&gt;Anistia Internacional), &lt;/i&gt;faz uma campanha contra o uso do carro blindado, o Caveirão, nas incursões policiais dentro das favelas fluminenses: &lt;i&gt;"Nas operações realizadas pelo caveirão, a polícia faz ameaças psicológicas e físicas aos moradores, com o intuito de intimidar as comunidades como um todo. O emblema do BOPE – uma caveira empalada numa espada sobre duas pistolas douradas – envia uma mensagem forte e inequívoca: o emblema simboliza o combate armado, a guerra e a morte" (3).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;A linguagem tratada pelos auto-falantes na parte externa dos carros blindados que anuncia a chegada da política é ecoada em um ritmo que beira à uma macabra procissão. No entanto, parece não pairar dúvidas a respeito da tarefa dessa polícia descontrolada: subir o morro para impor o medo, intimidação, coerção, tortura e atirar quem se encontra pela frente fazendo justiça no meio da rua: &lt;i&gt;“Crianças, saiam da rua, vai haver tiroteio” ou de forma mais ameaçadora: “Se você deve, eu vou pegar a sua alma”. Quando o caveirão se aproxima de alguém na rua, a polícia grita pelo megafone: “Ei, você aí! Você é suspeito. Ande bem devagar, levante a blusa, vire... agora pode ir...” (4).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Em outro trecho diz ainda o documento das ONGs: "&lt;i&gt;A adoção dessa política de segurança pública que combate a violência com violência, utilizando uma estratégia de confrontação e intimidação, pouco colabora para a segurança dos policiais, que têm morrido muito mais fora das operações policiais, no chamado “bico” ou em episódios de vingança. [...] A polícia tem o direito legítimo de se proteger enquanto trabalha. Mas também tem o dever de proteger as comunidades que está servindo. O policiamento agressivo tem resultado em grande sofrimento para as comunidades pobres do Rio, bem como sua perda de confiança na capacidade do estado de manter e garantir a segurança." &lt;/i&gt;(5)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;4. A falência do Poder Público&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;O banho de sangue produzido a cada investida policial nos morros fluminenses é um tétrico espetáculo da violência no seu estágio mais primitivo. O paradoxo desse sistema de execução permanente de pessoas a exaustão é contido quando existe um pacto selado pela propina que muitos policiais civis e militares (a chamada "banda podre") recebem do tráfico, o "&lt;i style=""&gt;arrego&lt;/i&gt;", selando inescrupulosamente a conivência do Poder Público e todo o arsenal de contravenções que o dinheiro das drogas pode corromper. Além dos vastíssimos lucros provenientes do tráfico, a "banda podre" das polícias também mantêm seus negócios em outros segmentos num lucrativo comércio que combina desde exploração de bailes &lt;i style=""&gt;funk&lt;/i&gt; e seus “&lt;i style=""&gt;proibidões&lt;/i&gt;” à roubo de carga, passando pelo jogo do bicho e seqüestros. Praticamente, em todos os ramos do crime organizado, há necessariamente a conivência e participação de policiais de forma direta ou indiretamente. A péssima remuneração dos agentes policiais é mais um grande atrativo para que a propina e o negócio ilícito possam ser mais cativantes do que seu trabalho de agente público. Segundo o cientista político, Paulo Sérgio Pinheiro e Guilherme A. Almeida: "&lt;i&gt;A violência urbana subverte e desvirtua a função das cidades, drena recursos públicos já escassos, ceifa vidas -- especialmente as dos jovens e dos mais pobres--, dilacera famílias, modificando nossas existências dramaticamente para pior. De potenciais cidadãos, passamos a ser consumidores do medo&lt;/i&gt;" (6).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;A complexidade do caos social não é exclusividade do Rio de Janeiro, porém é neste Estado ocorre a mais latente corrosão do Poder Público. O maremoto de violência não poupa ninguém e captura cada vez mais jovens e crianças para as fileiras do narcotráfico. Traficantes cada vez mais jovens e violentos dominam as "bocas de fumo" com uso de arsenal cada vez mais pesado com alto poder de fogo. No entanto, nenhuma novidade que não seja de conhecimento público. A questão pertinente é a completa letargia da corrupta elite da política carioca que se nutre da desgraça produzida pelas favelas mergulhadas na violência do tráfico para patrocinar suas campanhas eleitoreiras, além de cultivar interesses medíocres e mesquinhos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;font-family:Arial;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;5. “Imperialismo brando” e a desarticulação da sociedade sob a égide neoliberal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;As privatizações das ações sociais retratam a desarticulação e enfraquecimento do Estado sob os auspícios das políticas neoliberais e enfraquecimento das práticas e ações dos grupos de esquerda. No vácuo da ausência de uma teia de proteção social do Estado, foi se erguendo um arquipélago de organizações não-governamentais (ONGs) cuja idoneidade é de difícil aferição, invadiram os morros em supostas práticas humanitárias. Sempre com o olhar atento do chefe do tráfico da região, em teoria, essas ONGs procuram fazer o trabalho social que o Estado deveria fazer e decididamente renunciou ao seu dever. Existe uma estreita correlação entre ONGs internacionalizadas no Terceiro Mundo, privatização dos serviços públicos e os empréstimos do Banco Mundial. Em sua rápida passagem pelo Banco Mundial, o Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, chamou de “&lt;i style=""&gt;pós-Consenso de Washington&lt;/i&gt;” essas estreitas relações de supostos grupos de ajuda humanitária e interesses de corporações financeiras. Tais práticas também foram denominadas como “&lt;b style=""&gt;imperialismo brando&lt;/b&gt;” (7).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;A cultura da barbárie predomina quando mescla indecifravelmente o permitido e o ilícito. Não é possível saber com precisão a distinção entre o "certo" e o "errado". Num mundo batizado pela barbárie, a ética é a primeira vítima de bala perdida. Crianças que empunham fuzis e protegem guetos do comércio de drogas é um dos bizarros espetáculos que o injusto e falido Estado brasileiro proporciona ao mundo. Uma juventude paupérrima e sem saída ceifada nos campos de concentração do narcotráfico cujo único destino é quase invariavelmente o cemitério. Que futuro existe para um jovem pobre sem a menor perspectiva e tenta se equilibrar entre a violência dos "comandos" e a polícia? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;A pobreza não gera necessariamente violência, mas degradação. A luta irracional pela sobrevivência transforma homens, mulheres, adolescentes e até mesmo crianças em canibais na insana guerra de todos contra todos e abençoada pela corrupção de policiais e políticos. A indiferença, a inércia e a incompetência política aliada visceralmente com a impunidade e a corrupção de diversas esferas do Poder Público reproduzem dramaticamente toda a hecatombe social parido pela junção catastrófica da miséria com a violência. O resultado é a inevitável luta pela sobrevivência do mais sórdido darwinismo social.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;O Rio de Janeiro não é a única ilha com exclusividade a postular o privilégio do medo. Nos grandes e médios centros econômicos pelo Brasil, a sociedade acuada pelo medo da violência produz um nicho cada vez mais lucrativo: a indústria da segurança. O patrocínio da segurança somente é possível pela promoção indistinta da insegurança. A título de exemplo, já se cogitou a proposta de fazer um batalhão especial de policiais privados para atender exclusivamente as ocorrências de roubos de automóveis. Somente para a disseminação do medo, seguros, equipamentos de vigilância e polícia privada torna-se um nicho comercial com grande utilidade e longe das intempéries de crises econômicas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;A ideologia liberal disseminada amplamente na sociedade cultiva um arraigado cultivo do individualismo e o consumismo desenfreado. Tudo e todos são transformados em permanentes mercadorias e cabe ao consumidor se digladiar dentro das relações sociais para o acúmulo de seus bens. A droga é uma mercadoria que ao mesmo tempo promete saciar a suposta sensação de liberdade do indivíduo como ao mesmo tempo encarcera o usuário a dispor de mais dinheiro para adquirir mais mercadoria alucinógena. O sedutor mercado das drogas não encontra crise ou obstáculos para crescer e prosperar quase sem limites.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Portanto, o espaço público é ocupado pelo teatro de operações de uma guerra permanente pelo controle e distribuição de drogas para seus potenciais consumidores. Um lucrativo comércio onde um único quilo de pó se multiplica velozmente sua reprodução e também seus lucros. Nas redes de comando desta verdadeira indústria, onde o dinheiro fácil e a propina são componentes fundamentais para alimentar a conta bancária de uma miríade de “interessados” e entre eles se encontram policiais, advogados, juízes e políticos. Para a população que esta a margem do processo intestinal desta economia subterrânea resta somente arcar com a explosão secundária de violência. Secundária por um motivo estritamente profissional: o livre comércio não deseja interrupções ou bloqueios de nenhuma natureza. A violência impregnada dentro e fora das favelas é a manifestação do desequilíbrio da cadeia de interesses e se transforma no conflito pelo território das “disputas comerciais”. Num mundo marcado pelo permanente estado de barbárie, não existe mais a distinção entre liberdade e cárcere, todos são cooptados pelo medo permanente de uns contra os outros. O coletivo cede espaço para soluções individualistas totalmente inócuas e que fazem fomentar cada vez mais o estado de agressividade e violência social.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;font-family:Arial;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0); font-family: trebuchet ms;"&gt;6. Considerações finais&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;No caso particular do Rio de Janeiro, o combate efetivo ao narcotráfico ao estilo de uma “cruzada messiânica” não produzirá nenhum efeito se for tão somente uma tarefa baseada na testosterona e na violência dos seus agentes repressivos. Da violência explicita somente repercutirá mais violência gratuita e generalizada. Pouco adianta fazer a maquilagem das estatísticas que de um passe de mágica os números são trocados ou ampliar infinitamente o número de agentes repressivos ou vagas em prisões. Não existem soluções mágicas, caricaturais e imediatas, exceto para uma vastidão de inescrupulosos políticos em períodos eleitoreiros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Para uma visão mais abrangente do problema, é imperativo um amplo conjunto de ações que passa necessariamente pela descriminalização das populações dos morros e a ampliação substancial do suporte social do Estado. Segundo Vera M. Batista: “&lt;i style=""&gt;A política criminal de drogas imposta pelos Estados Unidos, assim como a econômica, é o maior vetor de criminalização seletiva nas periferias brasileiras: a prisão parece ser o principal projeto para a juventude popular&lt;/i&gt;” (8). Sem um projeto alternativo de “ocupação sócio-educacional” dos morros aliada a uma ampla política de geração de empregos atrelada ao desenvolvimento econômico e urbano, dificilmente as favelas deixaram de ser uma “terra de ninguém”. Existem alguns projetos bem sucedidos em favelas fluminenses, mas insuficientes para resolver a magnitude e complexidade que a questão necessita. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Para alguns setores da sociedade que se postulam como “democráticos”, mas que flertam o autoritarismo com cores fascista, é importante ressaltar que não será exterminando os moradores pobres de ruas, guetos ou favelas que se eliminará a pobreza e tampouco a violência. Não é a pobreza responsável pela criminalidade e o narcotráfico. É justamente o inverso: o comércio de armas e drogas se alimenta parasitamente do descalabro social e da pobreza atávica das camadas mais frágeis da sociedade. O próprio sistema capitalista necessita de um perdedor para que o outro sobressaia pisoteando as demais cabeças vencidas. Ademais, pouco adiantará o encarceramento de população marginalizada em um número infinito de prisões. Não será o confinamento extremo da pobreza que resultará na diminuição do estado de guerra permanente dentro e fora dos morros fluminenses. &lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Ignorar o drama de imensos contingentes populacionais que vivem torturados sobre a mira de metralhadoras no meio da guerra civil fluminense é fechar os olhos para o futuro da suposta democracia brasileira. E acima de tudo, é convidar a barbárie a se perpetuar nas estruturas sociais desse país. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;________________________________________________________________________&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;font-family:Arial;" &gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Notas &amp; Referências&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;(1) Agência Brasil. Disponível em &lt;http:&gt; Acesso em 07 de setembro de 2007.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/http:&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;(2) UM-Habitat. “&lt;b style=""&gt;The Challenge of Slums:&lt;/b&gt; Global Report on Human Settlements”, 2003.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;(3) a (5) Justiça Global Brasil. Disponível em &lt;a href="http://www.global.org.br/"&gt;http://www.global.org.br&lt;/a&gt;. Acesso em 07 de setembro de 2007.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;(6) Pinheiro, Paulo Sérgio e Almeida, Guilherme Assis. "&lt;b&gt;Violência Urbana&lt;/b&gt;". São Paulo: Publifolha, 2007.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;(7) Davis, Mike. “&lt;b style=""&gt;Planeta Favela&lt;/b&gt;”. São Paulo: Boitempo, 2006.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(8) Batista, Vera Malaguti. “&lt;b style=""&gt;A questão criminal no Brasil contemporâneo&lt;/b&gt;”. Margem Esquerda, no. 8, pp. 37-41. São Paulo: Boitempo, 2006.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;b&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6181455855823840359-2634813119846759762?l=arquiteturadabarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/feeds/2634813119846759762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6181455855823840359&amp;postID=2634813119846759762' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/2634813119846759762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6181455855823840359/posts/default/2634813119846759762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquiteturadabarbarie.blogspot.com/2007/09/guerra-civil-fluminense-violncia.html' title='A guerra civil fluminense: violência, narcotráfico e a falência do Estado'/><author><name>Wellington Fontes Menezes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18269840110642938817</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/SS-zOcZO5XI/AAAAAAAAAn4/OI2Oqe83ubk/S220/wfm_05_08_v2.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8usOdprQu5s/RuUhjgqDevI/AAAAAAAAAHY/DGqlvgXk2FE/s72-c/violencia-RJ-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
